Mostrando postagens com marcador Keira Knightley. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Keira Knightley. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de outubro de 2010

A Duquesa



A Duquesa, de Saul Dibb, narra a história de uma mulher que, tendo aceitado, na juventude, o quê lhe impôs a sociedade patriarcal inglesa, se vê obrigada, mais tarde, a se sacrificar a fim de manter as aparências de dignidade da nobreza num momento de ebulição política, marcado pela Revolução Francesa e pela Independência dos EUA.

O filme faz implícito paralelismo entre Georgiana Cavendish (1757-1806), Duquesa de Devonshire e Diana Frances Spencer (1961-1997), Princesa de Gales, como é óbvio, até porque são ambas integrantes da mesma linhagem familiar. O roteiro, bem elaborado pelo próprio Dibb, em colaboração com Jeffrey Hatcher e Anders Thomas Jensen, é baseado no livro Georgiana: Duchess of Devonshire de Amanda Foreman.

Pelo belo tratamento cinematográfico dado por Dibb às seqüências iniciais – concomitantes à exibição dos créditos – tem-se a impressão de que não se está assistindo a um mero filme de época, mas a um trabalho de fôlego e de originalidade tanto no que diz respeito à ambientação, à beleza do figurino, à justeza das interpretações e principalmente à eficiente composição de cenas e de planos fotográficos.

Pois, enquanto Georgiana (Keira Knightley) se diverte nos jardins de sua residência com amigos, entre os quais se encontra o jovem Charles Grey (Dominic Cooper), seu flerte casual, sua mãe Lady Spencer (Charlotte Rampling), num dos salões de recepção da propriedade, trata, como era costume na sociedade patriarcal inglesa, de seu casamento com um homem mais velho do que ela, o Duque de Devonshire (Ralph Fiennes).

Concluídos os acertos pré-matrimoniais, o Duque parte sem ter contato com Georgiana. Esta, deixando os amigos no jardim, atende ao chamado da mãe para, no salão, receber dela, com agrado, a notícia de seu noivado. Meio sonsa, ela indaga à mãe: – Então o Duque gosta de mim?… Mas ele só me viu uma vez! Porém orgulhosa, já se sentindo como futura Duquesa de Devonshire, Georgiana faz expressiva caminhada em direção à sacada da residência para assim sugerir a despedida aos amigos. E, na cena seguinte, ela caminha em sentido contrário, ingressando na igreja para a solenidade do casamento.

Pena que a promessa fique nisso, ou melhor, que sejam apenas nesses breves momentos iniciais que Dibb acerte na condução de sua narrativa, de certo charme e agilidade. A partir de então, seu trabalho mergulha no convencional, arrastando temas por demais explorados em filmes do gênero como a exigência do marido de a esposa ter filho varão para perpetuar o nome da família ou a obrigação dela de aceitar a criar uma criança, nascida de antiga relação dele com uma empregada, já morta naturalmente.

De qualquer forma, porém, o cineasta não deixa cair o ritmo, apoiando-se para tanto num bom trabalho de edição de Masahiro Hirakubo, na fotografia esmerada de Gyvia Pados, no apropriado comentário musical de Rachel Portman e principalmente nas primorosas interpretações do elenco, em que se destaca naturalmente o trabalho de Ralph Fiennes, digno de elogios.

O Duque de Devonshire, segundo a máscara que lhe empresta Fiennes, ganha uma dimensão humana que certamente o roteiro, escrito para destacar as desventuras da personagem-título, a Duquesa, não lhe atribui. No papel, o Duque não deve passar de um déspota, machista, autoritário e inflexível em suas decisões, que traz num cortado a pobre esposa, obrigada sempre a cumprir estritamente suas vontades. Mas não é esta a figura que Fiennes encarna. Ele sabe transmitir a sutil compreensão de que o Duque aprecia e valoriza a atuação política da Duquesa – um século antes de ser concedido o direito de voto às mulheres inglesas -, a qual, como a princesa Diana, conseguiu atrair para si grande prestígio em meio aos seus súditos.

Fiennes esmera-se ainda na percepção de que ele continua amando e admirando a esposa, mãe de seus filhos, embora as circunstâncias – criadas, na verdade, pela própria Duquesa – o levem a se tornar amante de Bess Foster (Hayley Atwell), também moradora em sua residência. E, por outro lado, a sensível reação do Duque ao saber que a Duquesa traz no ventre um filho que não é seu, pela forma com que a exterioriza a personagem, consagra realmente o trabalho de um grande ator.

Quanto a Keira Knightley, fica evidente por essa sua atuação que, apesar de ter rosto bonito, boa presença em cena, como intérprete, ela se repete muito. Em alguns momentos, como Duquesa, ela está muito bem. Mas em outros poderia, com certeza, explorar mais as oportunidades. Charlotte Rampling e Hayley Atwell apresentam excelentes interpretações, o mesmo acontecendo com o novo e promissor talento do cinema britânico, Dominic Cooper, que, dado o seu inegável preparo técnico, vem sendo apontado, nos meios cinematográficos da Inglaterra, como provável sucessor de Daniel Craig na série do Agente 0007, James Bond.

Ficha Técnica

Título original:The Duchess
Gênero:Drama
Duração:1 hr 50 min
Ano de lançamento: 2008
Site oficial: http://www.aduquesa.com.br
Estúdio: Paramount Vantage / Pathé / BBC Films / BIM Distribuzione / Qwerty Films / Magnolia Mae Films / Pathé Renn Productions
Distribuidora: Paramount Vantage
Direção: Karen Wakefield
Atores: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Dominic Cooper, Charlotte Rampling.Roteiro: Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen e Saul Dibb, baseado em livro de Amanda Foreman
Produção: Michael Kuhn e Gabrielle Tana
Música: Rachel Portman
Fotografia: Gyula Pados
Direção de arte: Karen Wakefield
Figurino: Karen Wakefield
Edição: Masahiro Hirakubo
Efeitos especiais:Rainmaker 

Premiações


OSCAR 
Ganhou
Melhor Figurino

Indicação
Melhor Direção de Arte

GLOBO DE OURO 
Indicação
Melhor Ator Coadjuvante - Ralph Fiennes

BAFTA 
Ganhou
Melhor Figurino

Indicação
Melhor Maquiagem

Curiosidades

- Os direitos da adaptação do livro de Amanda Foreman para o cinema foram adquiridos em 1998;

- As filmagens ocorreram entre 17 de setembro e dezembro de 2007.

Trailer 

sexta-feira, 28 de março de 2008

Desejo e Reparação





Todo mundo tem em sua consciência um erro cometido do qual se arrepende muito e julga imperdoável. Bom, pelo menos eu tenho o meu. O de Brioni Tallis aconteceu no início da adolescência e teve proporções catastróficas nas vidas de pessoas que ela amava: sua irmã Cecilia e Robbie Turner, filho de uma de suas empregadas. Resumindo em poucas palavras, esta é a idéia central de Desejo e Reparação (Atonement, 2007), adaptação do romance escrito por Ian McEwan.


Em seu segundo longa-metragem, o cineasta Joe Wright mostra que está amadurecendo o talento já demonstrado na estréia, Orgulho e Preconceito. Além de compor muito bem o mise-en-scène, com figurinos, cenários e câmeras nos locais certos, ele consegue extrair do elenco ótimas atuações, que já coloca seus atores na lista de possíveis indicados ao Oscar. Para o papel de Cecilia ele chamou Keira Knightley, com quem já havia trabalhado no seu primeiro filme. Seu parceiro de cena é o escocês James McAvoy, que vem se confirmando como um dos astros em ascendência. Mas o papel mais importante é o de Brioni, interpretado em três momentos distintos por Saorsi Ronan, Romola Garai e Vanessa Redgrave.


As três atrizes separam não apenas momentos distintos da personagem, mas também da história (seja ela com "h" maiúsculo ou minúsculo). Quando a conhecemos, no quente verão de 1935, ela é nova, prepotente e mimada. Anda a passos rápidos, fazendo ângulos retos e gasta o tempo livre escrevendo peças ou livros. Ela tem uma paixão secreta por Robbie, rapaz mais velho, que por sua vez é apaixonado por Cecilia e correspondido e da sua inocência vem o tal erro.


O tempo passa, a Segunda Guerra Mundial começa e o remorso de Brioni se torna uma ferida muito maior do que qualquer bomba lançada no front. É neste perído que a dramaticidade cresce e Wright concebe uma das cenas mais bonitas que os cinemas exibirão nesta temporada: em um soberbo plano seqüência, ele acompanha Robbie e dois colegas soldados chegando à praia de Dunkirk e presenciando a calamidade provocada pela guerra. Para realizar a cena, foram utilizados mais de mil extras e outras 350 pessoas trabalharam nos bastidores. São intermináveis minutos sem corte, que fariam até o Capitão Nascimento prender a respiração e torturar as lágrimas para que elas não escapassem pelo canto do olho. No terceiro ato, a premiada Vanessa Redgrave fecha a história com uma participação pequena, mas intensa.


Wright, apesar de ter trabalhado duas vezes em filmes de época, não se prende aos maneirismos no gênero e arrisca não só na narrativa, que apresenta visões diferentes para cenas específicas, mas também no uso da trilha sonora e edição de som, que trabalham juntos e fazem com que os barulhos do filme se encaixem na música e aumentem a tensão. Mas se você não se preocupa com estes detalhes técnicos e quer apenas curtir um bom filme, tudo bem também. Alguém tão preocupado com os detalhes não vai descuidar do elemento principal, a história. Mas vá avisado Desejo e Reparação não está na lista dos dramas de época, de guerra ou romances convencionais. Depois não venha botar a culpa em mim. Já tenho problemas demais na minha consciência.



Ficha Técnica 

Título Original: Atonement
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra): 2007
Site Oficial: www.atonementthemovie.co.uk
Estúdio: Working Title Films
Distribuição: Focus Features / Universal Pictures / UIP
Direção: Joe Wright
Roteiro: Christopher Hampton, baseado em livro de Ian McEwan
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner e Paul Webster
Música: Dario Marianelli
Fotografia: Seamus McGarvey
Desenho de Produção: Sarah Greenwood
Direção de Arte: Ian Bailie, Nick Gottschalk e Niall Moroney
Figurino: Jacqueline Durran
Edição: Paul Tothill


Elenco 


Keira Knightley (Cecilia Tallis)
James McAvoy (Robbie Turner)
Romola Garai (Briony Tallis - 18 anos)
Saoirse Ronan (Briony Tallis - 13 anos)
Vanessa Redgrave (Briony Tallis - idosa)
Brenda Blethyn (Grace Turner)
Juno Temple (Lola)
Alfie Allen (Danny Hardman)
Nonso Anozie (Frank Mace)
Benedict Cumberbatch (Paul Marshall)
Michelle Duncan (Fiona)
Daniel Mays (Tommy Nettle)
Gina McKee (Enfermeira Drummond)
Jérémie Renier (Luc Cornet)
Charlie von Simson (Jackson)
Felix von Simson (Pierrot)
Harriet Walker (Emily Tallis)
Ben Harcourt (Jackson - 13 anos)
Jack Harcourt (Pierrot - 13 anos)


Premiações 


- Ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora, além de ser indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Saoirse Ronan), Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Roteiro Adaptado.

- Ganhou 2 Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Trilha Sonora. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Ator - Drama (James McAvoy), Melhor Atriz - Drama (Keira Knightley), Melhor Atriz Coadjuvante (Saoirse Ronan) e Melhor Roteiro.

- Ganhou 2 prêmios no BAFTA, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Desenho de Produção. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Diretor, Melhor Ator (James McAvoy), Melhor Atriz (Keira Knightley), Melhor Atriz Coadjuvante (Saoirse Ronan), Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Maquiagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som.

Curiosidades 


- Emily Watson e Kristin Scott Thomas foram sondadas para interpretar Emily Tallis.

- Inicialmente seria Abbie Cornish a intérprete da personagem Briony Tallis aos 18 anos, mas desistiu dela devido a conflitos de agenda com as filmagens de Elizabeth: The Golden Age (2007).

- Este é o 2º filme em que o diretor Joe Wright e a atriz Keira Knightley trabalham juntos. O anterior foi Orgulho e Preconceito (2005).

- Joe Wright queria que Keira Knightley interpretasse a personagem Briony Tallis no fim de sua adolescência. A atriz pediu para interpretar Cecilia, já que gostava mais desta personagem e queria se afastar dos papéis de garota para interpretar uma mulher mais madura.

- Romola Garai rodou todas as suas cenas em apenas 4 dias.

- As filmagens ocorreram entre maio e agosto de 2006.

- Foi o filme de abertura do Festival de Veneza 2007.

- Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2007.

- O orçamento de Desejo e Reparação foi de US$ 35 milhões.



sexta-feira, 1 de junho de 2007

Piratas Do Caribe - No Fim Do Mundo


Quando chegou aos cinemas em 2003, "Piratas do Caribe" bateu recordes de bilheteria ao cativar um público ávido pelas mirabolantes aventuras do capitão Jack Sparrow. A origem do projeto era uma atração dos parques da Disney, e sua versão fílmica parecia recuperar o prazer do puro entretenimento de um gênero popular na Hollywood clássica. Para explorar melhor as possibilidades da franquia, no ano passado a Disney lançou uma continuação.


Os problemas da segunda parte, porém, só se agravam em "Piratas do Caribe - No Fim do Mundo". Enquanto parte do charme do primeiro consistia em criar uma história aventuresca, capitaneada pela extravagância de Sparrow, o filme seguinte passou para os efeitos visuais o papel de manter a octanagem do show. Neste terceiro capítulo, a opção se acentua, com um fiapo de história que não justifica a longuíssima duração (168 minutos). Os desdobramentos do romance entre Elizabeth e Will e o retorno de Sparrow são inutilmente estendidos para sustentar cenas intermináveis, cujo único valor consiste na magnitude dos efeitos.


Como tudo que é demais enjoa, a sucessão de ataques, saltos, fugas e transformações. Sem oferecer maior interesse pela narrativa, "Piratas" gera o que menos se espera de uma aventura: tédio.


Filme exagera nos efeitos e causa tédio


Elenco
Johnny Depp (Capitão Jack Sparrow)
Orlando Bloom (Wil Turner)
Keira Knightley (Elizabeth Swann)
Geoffrey Rush (Capitão Barbossa)
Jonathan Pryce (Governador Weatherby Swann)
Bill Nighy (Davy Jones)
Chow Yun-Fat (Capitão Sao Feng)
Tom Hollander (Lorde Cuttler Beckett)
Stellan Skarsgard (Bill Turner)
Kevin McNally (Joshamee Gibbs)
Jack Davenport (Almirante James Norrington)
Mackenzie Crook (Ragetti)
Lee Arenberg (Pintel)
Martin Klebba (Marty)
Greg Ellis (Tenente Groves)
Reggie Lee (Tai Huang)
David Bailie (Cotton)
Naomie Harris (Tia Dalma)
Sergio Calderón (Capitão Villanueva)
Keith Richards (Pai de Jack Sparrow)


Ficha Técnica
Título Original: Pirates of the Caribbean: At World's End
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 168 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Hot Site: http://www.adorocinema.com/hotsites/piratas-do-caribe
Estúdio: Jery Bruckheimer Films / Walt Disney Pictures
Distribuição: Buena Vista Pictures
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Ted Elliott e Terry Rossio, baseado nos personagens criados por Stuart Beattie, Ted Elliott, Terry Rossio e Jay Wolpert
Produção: Jerry Bruckheimer
Música: Hans Zimmer
Fotografia: Dariusz Wolski
Desenho de Produção: Rick Heinrichs
Direção de Arte: John Dexter
Figurino: Liz Dann e Penny Rose
Edição: Stephen E. Rivkin e Craig Wood
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / Proof / The Orphanage


Curiosidades
- Precedido por Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (2003) e Piratas do Caribe - O Baú da Morte (2006).


- Piratas do Caribe - O Baú da Morte e Piratas do Caribe - No Fim do Mundo foram rodados simultaneamente, com o lançamento dos filmes ocorrendo com a diferença de um ano.


- As filmagens de ambas as sequências foram realizadas entre março e setembro de 2005.


- As filmagens do 3º filme tiveram início sem que o roteiro final estivesse concluído.


- O músico Keith Richards, da banda Rolling Stones, aceitou o convite para fazer uma participação especial como o pai do capitão Jack Sparrow. Johnny Depp, intérprete de Sparrow, declarou após o lançamento do 1º filme que se baseou no músico para compôr o personagem.


- Lançado em 769 salas do Brasil, com 679 cópias. Trata-se do maior lançamento da Disney nos cinemas brasileiros até então.


- O orçamento de Piratas do Caribe - No Fim do Mundo foi de US$ 200 milhões.


Trailer