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terça-feira, 9 de junho de 2009

Intrigas de Estado


Sinopse
Stephen Collins (Ben Affleck) é um ambicioso congressista americano, visto por seu partido como sendo um candidato em potencial para o futuro. Quando sua assistente morre de forma trágica, Cal McAffrey (Russell Crowe), um veterano repórter, é designado para cobrir a história. Juntamente com sua parceira Della Frye (Rachel McAdams) ele passa a investigar o caso, descobrindo uma grande conspiração política.

Ficha Técnica

título original:State of Play
gênero:Drama
duração:2 hr 7 min
ano de lançamento: 2009
site oficial: http://www.stateofplaymovie.net/
estúdio: Universal Pictures / Studio Canal / Working Title Films / Andell Entertainment / Relativity Media / Bevan-Fellner
distribuidora: Universal Studios / Paramount Pictures / UIP
direção: Kevin Macdonald
roteiro: Tony Gilroy, Billy Ray e Matthew Michael Carnahan, baseado em série de TV criada por Paul Abbott
produção: Tim Bevan, Eric Fellner e Andrew Hauptman
música: Alex Heffes
fotografia: Rodrigo Prieto
direção de arte: Richard L. Johnson e Adam Stockhausen
figurino: Jacqueline West
edição: Justine Wright
efeitos especiais:Rhythm and Hues

Curiosidades
- Baseado na série de TV "State of Play", exibida em 2003;

- Edward Zwick seria o diretor, mas deixou o projeto logo no início de seu desenvolvimento;

- Martin Campbell, Brian De Palma, Richard Linklater, Ang Lee e Jim Jarmusch estiveram cotados para dirigir Intrigas de Estado;

- Inicialmente Brad Pitt e Edward Norton seriam os protagonistas de Intrigas de Estado. Pitt deixou o projeto pouco antes do feriado de Dia de Ação de Graças em 2007, pois devido à greve de roteiristas seria impossível fazer as modificações necessárias no roteiro. Em seu lugar foi contratado Russell Crowe;

- Após a saída de Brad Pitt e antes da contratação de Russell Crowe outros atores estiveram cotados para o personagem Cal McAffrey: Nicolas Cage, Tom Hanks e Johnny Depp;

- Russell Crowe pediu ao diretor Ridley Scott que lesse o roteiro de Intrigas de Estado, para ajudá-lo a decidir se faria o filme;

- Devido à saída de Brad Pitt o início das filmagens foi adiado, o que fez com que Edward Norton também deixasse o projeto. O ator já estava comprometido com as filmagens de Leaves of Grass (2009). Em seu lugar foi contratado Ben Affleck;

- Kevin Macdonald pensou em convidar Bill Nighy para que reprisasse o personagem Cameron Foster, por ele interpretado na série de TV a qual Intrigas de Estado é baseado. Posteriormente o diretor considerou que seria melhor se o personagem fosse interpretado por uma mulher;

- As filmagens ocorreram entre janeiro e abril de 2008;

- Helen Miren rodou todas as suas cenas em apenas 4 dias.

Trailer

terça-feira, 3 de abril de 2007

A Rainha


A Rainha Elizabeth 2ª está posando para um retrato. É dia de eleições: Tony Blair sairá consagrado das urnas, dando fim a um longo período de domínio conservador na política inglesa.

A rainha faz uma confidência: gostaria de poder votar, como qualquer pessoa. Inveja, nos eleitores, "o prazer de ser parcial".

Não temos afeição pela família real, e a figura de Tony Blair significa, para nós, pouco: apenas um sorridente, trêfego e algo ordinário coadjuvante de Bush na invasão do Iraque.

Quanto a Lady Di, a terceira ponta do triângulo que dá base ao filme, certamente o mundo inteiro ficou chocado com sua morte, naquele verão de 97, mas seria difícil ir tão longe quanto a população britânica na onda de comoção quase religiosa que se seguiu à tragédia de Paris.

O filme mostra, com imensa simpatia, as reações das pessoas das ruas. A música de fundo e as tomadas panorâmicas do imenso tapete de flores em frente do Palácio de Buckingham não deixam dúvida: Stephen Frears não está sendo britanicamente "imparcial" diante daquelas demonstrações de sentimentalismo popular.

Enquanto isso, a família real passava férias na Escócia, recusando-se a fazer qualquer manifestação pública diante da tragédia. Caberá a Tony Blair, recém-empossado como primeiro-ministro, convencer a rainha Elizabeth a sair de seu frio isolamento.

Posta nesses termos, a tese do filme parece simplória. Os membros da monarquia britânica sofrem de idiotia emocional; deformados por uma educação que privilegia o autocontrole, são incapazes de entender as emoções autênticas do povo.

A formalidade no castelo escocês de Balmoral contrasta com a vida caseira e afetuosa do casal Blair. O primeiro-ministro lava a louça, sua mulher cuida da cozinha. Blair se intimida como um garoto de escola no seu primeiro encontro com a rainha. Ele é "gente como a gente", podendo entender a comoção da massa.

"A Rainha" teria assim algo de "sitcom" americana. Não só porque seus diálogos são inteligentes e engraçados, mas também porque celebra, com direito a "happy end", as virtudes de uma civilização democrática, feita de pessoas comuns e emocionalmente saudáveis, sobre a opressiva tradição vitoriana.

É a própria rainha Elizabeth, responsável pelas melhores frases do filme, quem tira a moral da história: deve conciliar-se com um mundo novo, no qual esconder as próprias emoções deixou de ser virtude. Mas o interessante de "A Rainha" é que permite interpretações que se afastam, acho, da abordagem populista.

Afinal, as coisas se encaixariam melhor, da perspectiva de Frears, se a família real estivesse de fato triste com a morte de Lady Di. O próprio filme indica que não era isso o que acontecia. Todos, com exceção do atônito príncipe Charles, tinham ódio e desprezo por Diana. Se era assim, ninguém estava ocultando britanicamente os próprios sentimentos. O silêncio dos Windsor surgia da raiva e do ressentimento, não da compostura e do tradicionalismo.

Toda a comoção popular com a tragédia não deixa, por sua vez, de parecer muito menos uma expressão de democracia do que um resultado da manipulação midiática em torno das "celebridades". E Tony Blair, dessa perspectiva, é menos um hábil intérprete dos sentimentos de seu povo do que um viscoso oportunista.

Parece também implausível que a rainha e seus familiares desconheçam, a essa altura dos acontecimentos, o seu próprio papel de "celebridades" na mídia. Se, há quarenta anos, os Beatles foram recebidos com honra pela rainha, não convence a idéia de que só com a morte de Diana "caiu a ficha" da massificação na família Windsor.

O tom de quase documentário de "A Rainha" salva-o, entretanto, de ser uma espécie de conto de fadas hiper-realista, com Tony Blair no papel de Pequeno Polegar. Tratando de uma crise semelhante na Inglaterra do século 19, "Mrs. Brown", filme de John Madden com Judy Dench no papel de Rainha Vitória, e Antony Sher no do primeiro-ministro Disraeli, tem muito mais tensão e interesse do ponto de vista político. Mas não se fazem mais ingleses (nem política) como antigamente.

Ficha Técnica

Título Original: The Queen
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / França / Itália): 2006
Site Oficial: www.thequeen-movie.com
Estúdio: Canal+ / France 3 Cinéma / BIM Distribuzione / Granada Film Productions / Pathé Pictures International / Scott Rudin Productions
Distribuição: Miramax Films / Europa Filmes
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Peter Morgan
Produção: Andy Harries, Christine Langan e Tracey Seaward
Música: Alexandre Desplat
Fotografia: Affonso Beato
Desenho de Produção: Alan MacDonald
Figurino: Consolata Boyle
Edição: Lucia Zucchetti

Elenco

Helen Mirren (Rainha Elizabeth II)
Michael Sheen (Tony Blair)
James Cromwell (Príncipe Philip)
Sylvia Syms (Rainha-mãe)
Paul Barrett (Trevor Rees-Jones)
Helen McCrory (Cherie Blair)
Forbes KB

Trailer