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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um Olhar do Paraíso


Aos 14 anos, Susie Salmon foi estuprada, assassinada e estripada, mas não morreu completamente. Algo estranho aconteceu com ela. De onde está -- não é o paraíso, mas também não é o inferno, e não parece ser o purgatório -- ela pode observar sua família e seu assassino e torcer para que ele seja preso. Ainda assim, "Um Olhar do Paraíso", que estreia em todo o país, não é um filme sobrenatural. É um drama sobre crime e castigo.

O filme tem tudo para ser hipnótico, perturbador até, mas nas mãos do diretor e corroteirista Peter Jackson (famoso pela trilogia "O Senhor dos Aneis"), a adaptação do romance "Uma Vida Interrompida" é morna, sem graça e cheia de efeitos visuais. A trama é interessante, mas os excessos criativos do diretor a transformam num emaranhado de clichês visuais, um filme no qual uma onipresente narração em off contradiz uma regra básica do cinema: mostrar ao invés de dizer.

O roteiro, que Jackson assina com Fran Walsh e Phillippa Boyens (suas parceiras na adaptação do texto de "O Senhor dos Aneis"), baseia-se no romance da norte-americana Alice Sebold, publicado em 2002, apresentando uma trama intrincada e bem observada que já demonstrava seu potencial para uma versão cinematográfica.

Jackson nunca foi um diretor contido -- especialmente nos últimos filmes, nos quais o excesso é a regra. Por isso, procura não apenas mostrar, mas verbalizar no discurso de algum personagem aquilo que mostra na tela.

Em "Um Olhar do Paraíso", Susie (Saoirse Ronan, de "Desejo e Reparação") encanta-se com aquele lugar para onde vai depois de morta -- a que chamam de "meio-termo". Parte sonho lisérgico, parte parque de diversões, esse purgatório fofinho reúne todas as garotas assassinadas pelo mesmo sujeito -- interpretado por Stanley Tucci (indicado ao Oscar de ator coadjuvante por este trabalho).

De lá, Susie observa esse homem e suas tramoias para encobrir seus crimes. Além disso, ele também joga uns olhares estranhos para a irmã mais nova de Susie, Lindsey (Rose McIver), que é também uma vítima em potencial.

De seu purgatório pessoal, a garota também assiste à dissolução de sua família. O pai, Jack (Mark Wahlberg, de "Os Infiltrados"), obcecado por capturar o assassino, negligencia a mãe e os outros filhos. A mãe, Abigail (Rachel Weisz, de "Um beijo roubado"), não aguenta a tragédia e vai embora de casa. Já Lindsey tenta levar a sua vida. Susie se preocupa com todos aqueles que ficaram, uma preocupação da qual o diretor parece não compartilhar.

O livro de Sebold força a narrativa a um extremo, no qual a menina morta é uma narradora onisciente que fala com seus leitores com uma franqueza brutal. Há algo de muito interessante na forma como a história se abre, como a tragédia maior alavanca pequenas tragédias individuais que ameaçam o núcleo familiar como um todo. O filme de Jackson, por sua vez, é muito menos audacioso. O diretor parece tão interessado em criar visuais bonitos que deixa de lado qualquer profundidade que a trama pudesse alcançar.

Combinando fantasia com um toque de morbidez, "Um Olhar do Paraíso" poderia fazer uma ótima companhia para um dos bons filmes de Jackson, "Almas Gêmeas", de 1994 -- no qual uma Kate Winslet estreante matava a mãe de uma amiga, com ajuda da garota, e as duas escapavam mentalmente para um mundo feito de massinha, no qual acreditavam que eram as rainhas e viviam um amor proibido, protegidas por cavaleiros armados.

O peso dos anos -- ou talvez do sucesso -- pode ter abalado a audácia e criação artística de Jackson, que sucumbe a um pastiche visual que não acrescenta nada à narrativa, e nem, ao menos, é tão bonito de se ver.

O título original do livro e do filme, "The Lovely Bones" (traduzido nas legendas como "restos angelicais"), não se refere apenas aos delicados restos mortais de Susie, mas, também, à trama complexa e frágil que une e separa as pessoas. Ao ignorar essa informação, o enredo se transforma num suspense banal.

Ficha Técnica

título original:The Lovely Bones
gênero:Drama
duração:02 hs 15 min
ano de lançamento:2009
site oficial:http://www.lovelybones.com/
estúdio:WingNut Films / DreamWorks SKG / Film4 / Key Creatives
distribuidora:DreamWorks SKG / Paramount Pictures
direção: Peter Jackson
roteiro:Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson, baseados em livro de Alice Sebold
produção:Carolynne Cunningham, Peter Jackson, Aimée Peyronnet e Fran Walsh
música:Brian Eno
fotografia:Andrew Lesnie
direção de arte:Jules Cook e Chris Shriver
figurino:Nancy Steiner
edição:Jabez Olssen
efeitos especiais:Weta Digital

Elenco

Saoirse Ronan (Susie Salmon)
Mark Wahlberg (Jack Salmon)
Rachel Weisz (Abigail Salmon)
Susan Sarandon (Vovó Lynn)
Stanley Tucci (George Harvey)
Michael Imperioli (Len Fenerman)
Jake Abel (Brian Nelson)
Amanda Michalka (Clarissa)
Reece Ritchie (Ray Singh)
Rose McIver (Lindsey Salmon)
Andrew James Allen (Samuel Heckler)
Nikki SooHoo (Holly)
Anna George (Sra. Singh)
Charlie Saxton (Ronald Drake)
Carolyn Dando (Ruth)
Stink Fisher (Sr. Connors)
Christian Thomas Ashdale (Buckley Salmon)
Stefania Owen (Flora Hernandez)
Tina Graham (Sophie Cichetti)
Thomas McCarthy (Diretor Caden)

Curiosidades

Alice Sebold, autora do livro o qual Um Olhar do Paraíso é baseado, declarou que preferia que a intérprete de Susie Salmon fosse uma atriz desconhecida. A escolhida foi Saoirse Ronan, que pouco depois ganhou notoriedade ao ser indicada ao Oscar de atriz coadjuvante por Desejo e Reparação (2007);

- Saoirse Ronan foi escolhida a partir de uma audição gravada, enviada aos produtores e ao diretor Peter Jackson. Eles ficaram tão impressionados com o material que logo acertaram com a atriz, sem que houvesse a necessidade de uma nova audição;

- Helen Hunt esteve cotada para interpretar Abigail Salmon;

- Rachel Weisz foi a primeira integrante do elenco contratada para o filme;

- Inicialmente seria Ryan Gosling o intérprete de Jack Salmon. O ator deixou crescer a barba e engordou 9 kg para o papel, mas deixou o elenco poucos dias antes do início das filmagens devido a diferenças criativas. Em seu lugar, foi contratado Mark Wahlberg;

- A escola em que a personagem Susie Salmon estuda é baseada na General Wayne Elementary School, onde Alice Sebold estudou nos anos 70;

- O orçamento de Um Olhar do Paraíso foi de US$ 100 milhões.

Trailer

domingo, 1 de abril de 2007

Os Infiltrados




A história é baseada no eletrizante Conflitos Internos(Infernal Affairs, 2002), sucesso de Hong Kong co-dirigido por Alan Mak Andrew Lau que ainda teve duas continuações. Segundo Scorsese, ele e o roteiristaWilliam Monahan resolveram não assistir ao original e trabalharam em cima de uma tradução do roteiro de Mak e Felix Chong. O argumento é basicamente o mesmo, com algumas pequenas mudanças e reviravoltas. A grande diferença é que Scorsese o transformou em um legítimo produto com a sua assinatura.
A narrativa é recheada de tensão e violência. O que antes era uma guerra entre policiais e criminosos em Hong Kong, se tornou um combate entre a máfia irlandesa e a polícia de Boston. A premissa continua sendo sobre dois espiões infiltrados: um na gangue dos bandidos e o outro dentro do departamento de polícia. Ambos têm que participar de uma rede de intrigas, traições e mentiras. A honra e a ética são colocadas de lado. A linha entre o paraíso e o inferno fica tênue. Tanto que o título original no mercado asiático era Mou gaan dou, o nível mais baixo do inferno no budismo. No filme de Scorsese esses homens são comparados a ratos, termo usado para denominar traidores nos Estados Unidos.
O filme abre com uma frase que já nasce antológica: Eu não quero ser um produto do meio-ambiente. Eu quero que o meio-ambiente seja um produto meu. Ela é dita por Frank Costello (Jack Nicholson). Estamos no começo dos anos 80 e Costello é um mafioso irlandês. Ele adota como protegido o garoto Colin Sullivan. Suas intenções não são as melhores possíveis. O objetivo foi criar um relacionamento com alguém que pudesse servi-lo no futuro. Acompanhamos o crescimento de Sullivan (Matt Damon). Aluno número um em todos os estabelecimentos de ensino que freqüentou. Acaba entrando para a academia de policia e se forma com louvor. Com o tempo consegue um lugar de destaque na força. Sullivan se torna o informante perfeito para ajudar Costello em sua escalada de crimes. Uma verdadeira cobra colocada no paraíso.
Ao mesmo tempo conhecemos Billy Costigan (Leonardo DiCaprio), outro que também entra para a academia de polícia. A diferença é que sua família tem um histórico criminal e ligações com a máfia irlandesa. Isso o torna o perfeito candidato para ser infiltrado na gangue de bandidos pelo chefe de policia Oliver Queenan (Martin Sheen). Costigan é a contraparte de Sullivan, uma espécie de anjo dentro do inferno. Todas essas cenas acima formam um pequeno prólogo de seqüências magistralmente registradas por Scorsese. As cenas de Sullivan começam fechadas e se abrem. As de Costigan são abertas e se fecham. Com isso percebe-se que o mundo de Sullivan ganhou outra dimensão, contrário ao de Costigan.
Por quanto tempo um homem consegue esconder sua verdadeira identidade e seu caráter? Ambos, Sullivan e Costigan, são assombrados pelos mesmos dilemas morais. Scorsese ainda cria mais um fator de conexão entre os dois espiões no triangulo amoroso com a personagem da psicóloga da polícia, Madolyn (Vera Farmiga). E nesse ponto, os protagonistas equilibram a balança. Interessante que ambos possuem uma figura paterna. Sullivan em Costello e Costigan em Queenan. Scorsese desenvolve esse relacionamento baseado na emoção e no instinto de sobrevivência. São dois mundos contrastantes, mas que precisam um do outro para existir.
Para que o confronto entre duas realidades tão dispares funcionasse, era necessário atores que pudessem dar credibilidade a sentimentos obscuros. Scorsese tira o melhor de cada um. Em seu primeiro trabalho com o diretor, Nicholson está brilhante. Sua presença na tela é hipnótica. Suas falas são engraçadas, pelo jeito que ele as pronuncia. Um talento nato para ser irônico e subversivo. O público ri, mesmo sabendo dos mais diversos atos nefastos realizados por ele. DiCaprio e Damon agem distintamente: o primeiro mais emocional e desesperado, Damon mais dissimulado. Ele tem um caminho mais difícil que DiCaprio, pois acaba provocando ódio no espectador. Mas com expressões suaves ele dá conta do recado com extrema eficiência.
Todas as interpretações ganharam em dimensão devido à colaboração da equipe técnica. A fotografia de Michael Ballhaus enriquece cada plano com uma cor sombreada, sugerindo ambigüidade em diversos personagens. Fica a impressão de que nesse universo desenvolvido por Scorsese existem outros ratos. A edição de Thelma Schoonmaker corrobora essa premissa com uma série de eventos que, por nenhum instante, deixam o espectador confuso. Pelo contrário, a curiosidade é aguçada a cada nova seqüência. Mesmo sendo encenado nos dias de hoje, sentimos em Os Infiltradosum certo clima de produção ambientada nos anos 70. Época que os filmes retratavam pessoas amorais e ambíguas sem muita preocupação com o politicamente correto. Gente que fazia sexo, xingava, matava e morria violentamente de forma extremamente realista. Tudo isso embalado por uma mistura de rock e opera na trilha sonora.
Muitas de suas cenas se enriquecem visualmente com composições famosas dosRolling StonesPink Floyd John Lennon. O mesmo estilo de Cassino Os Bons Companheiros, outros dois filmes do cineasta. Por sinal, uma seqüência com Costigan e dois mafiosos italianos é visivelmente inspirada em Os Bons Companheiros. Impossível não traçar paralelos com a cena em que o mafioso recém-saído da prisão apanha por ter humilhado o personagem de Joe Pesci. As motivações não são as mesmas, mas a violência em ambos os casos é um exercício de estética. Da mesma a forma, na cena do elevador envolvendo Costigan e Sullivan, o orgasmo visual acontece em segundos. A catarse é instantânea.
Os Infiltrados marca a volta de Scorsese ao caos urbano, ao mundo do crime repleto de gângsteres trágicos, ambiente em que ele é mestre. Mas dessa vez a ação também é concentrada no dia-a-dia dos policiais. Pois ratos não são um privilégio exclusivo dos bandidos.
Ficha Técnica

título original:The Departed
gênero:Drama
duração:2 hr 29 min
ano de lançamento: 2006
estúdio: Warner Bros. Pictures / Vertigo Entertainment / Plan B Entertainment / Media Asia Films Ltd. / Initial Entertainment Group
distribuidora: Warner Bros.
direção: Martin Scorsese
roteiro: William Monahan, baseado em roteiro de Siu Fai Mak e Felix Chong
produção: Jennifer Aniston, Brad Grey, Graham King, Brad Pitt e Martin Scorsese
música: Howard Shore
fotografia: Michael Ballhaus
direção de arte: Teresa Carriker-Thayer e Nicholas Lundy
figurino: Sandy Powell
edição: Thelma Schoonmaker
efeitos especiais:Lola Visual Effects

Elenco

Leonardo DiCaprio (Billy Costigan)
Matt Damon (Colin Sullivan)
Jack Nicholson (Frank Costello)
Martin Sheen (Oliver Queenan)
Vera Farmiga (Madeleine)
Mark Wahlberg (Dignam)
Anthony Anderson (Brown)
Ray Winstone (Sr. French)
Alec Baldwin (Ellerby)
Dion Baia (Donegan)
Lyman Chen (Robert Yan)
Derrick Costa (Oficial Doorley)
Kristen Dalton (Gwen)
Conor Donovan (Colin Sullivan - jovem)
Shay Duffin (Jimmy)
Brian Haley (Detetive Flynn)
Amanda Lynch (Carmen)

Premiações
OSCAR


Ganhou
Melhor Filme
Melhor Diretor - Martin Scorsese
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Edição

Indicação
Melhor Ator Coadjuvante - Mark Wahlberg

GLOBO DE OURO

Ganhou
Melhor Diretor - Martin Scorsese

Indicações
Melhor Filme - Drama
Melhor Ator - Drama - Leonardo DiCaprio
Melhor Ator Coadjuvante - Jack Nicholson e Mark Wahlberg
Melhor Roteiro

BAFTA


Indicações
Melhor Filme
Melhor Diretor - Martin Scorsese
Melhor Ator - Leonardo DiCaprio
Melhor Ator Coadjuvante - Jack Nicholson
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Edição

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO

Indicação
Melhor Filme Estrangeiro

MTV MOVIE AWARDS

Ganhou
Melhor Vilão - Jack Nicholson


Curiosidades


- Este é o 3º filme em que o diretor Martin Scorsese e o ator Leonardo DiCaprio trabalham juntos. Os anteriores foramGangues de Nova York (2002) e O Aviador (2004).

- Este é o 2º filme em que o diretor Martin Scorsese e o ator Alec Baldwin trabalham juntos. O anterior foi O Aviador(2004).

- Este é o 1º de 2 filmes em que Matt Damon e Alec Baldwin atuam juntos. O posterior foi O Bom Pastor (2006).

- Inicialmente Jack Nicholson recusou a proposta de interpretar Frank Costello em Os Infiltrados, sendo convencido a participar do filme após uma visita do diretor Martin Scorsese e de Leonardo DiCaprio. Segundo Nicholson, a principal razão para ter mudado de idéia é que gostaria de voltar a interpretar um vilão, já que seus últimos filmes haviam sido comédias.

- Robert De Niro chegou a assinar contrato para atuar em Os Infiltrados, mas foi obrigado a deixar o projeto posteriormente.

- Inicialmente seria Gerard McSorley o intérprete de Oliver Queenan, mas ele desistiu do projeto.

- Martin Scorsese queria realizar as filmagens em Boston, cidade onde a trama de Os Infiltrados acontece. Porém devido a questões políticas e a um desconto de 15% oferecido, grande parte das filmagens foi realizada em Nova York. Ao todo foram 8 semanas de filmagens, sendo 6 em Nova York e 2 em Boston.

- Como parte de sua pesquisa para o personagem, Matt Damon trabalhou durante algum tempo na estação policial de Massachusetts. Neste período o ator fez rondas policiais e realizou procedimentos típicos do trabalho policial.

- Refilmagem de Mou Gaan Dou (2002).

- Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2006.

- O orçamento de Os Infiltrados foi de US$ 90 milhões.


Trailer