Vem aí um filme baseado na famosa música do Legião Urbana, “Faroeste Caboclo”! As estrelas desse longa-metragem são Isis Valverde e Fabrício Boliveira.
A trama mostra a história de João de Santo Cristo, vivido por
Boliveira, quando ele sai de Salvador para Brasília. Na capital federal,
ele começa a traficar drogas e se apaixona por Maria Lucia, personagem
de Ísis Valverde. Depois disso, ele se envolve em uma disputa com
Jeremias, feito pelo Felipe Abib.
“Faroeste Caboblo”, dirigido por René Sampaio e que ainda tem Marcos
Paulo (que morreu em 2012) no elenco, chega aos cinemas em 30 de maio
deste ano!
Produção dinamarquesa, de 1987, ganhadora do Oscar de melhor filme estrangeiro. Direção de Gabriel Axel. Roteiro de Gabriel Axel, baseado num conto (de mesmo nome) de Karen Blixen. Com: Stéphane Audran, Bodil Kjer, Birgitte Federspiel, Jarl Kulle, Jean-Philippe Lafont.
Karen Blixen escreveu seus livros sob o pseudônimo de Isak Dinensen, numa época em que não era de muito bom-tom uma mulher escritora em meio à sociedade chauvinista. Além deste, outra obra sua também serviu de inspiração para um filme: “Out of Africa ”, de 1985, baseado no seu livro mais conhecido, “A fazenda africana” (“Den afrikanske Farm”).
O filme – também premiado no Festival de Cannes e no Globo de Ouro – narra a estória de Babette Harsan, que se refugia na casa de duas solteironas (filhas de um falecido pastor) num vilarejo da Dinamarca, fugida da repressão à Comuna de Paris. Elas a acolhem e a empregam como faxineira e cozinheira. Passados mais de uma dezena de anos, Babette descobre ter ganho na loteria e, grata às pessoas que a acolheram, decide oferecer um banquete à francesa, aproveitando a comemoração do centésimo aniversário do pastor.
Ficamos conhecendo a estória da juventude das irmãs através de flash-backs, narrados em off por uma voz feminina. Ambas sacrificaram suas paixões da juventude em nome da fé e das obrigações religiosas. Philippa abdicou de um relacionamento com um jovem oficial, Lorenz Lowenhelm, sobrinho de uma das devotas da seita fundada pelo pastor. Martine abriu mão de uma promissora, mas sequer iniciada, carreira como cantora, orientada por um cantor lírico de sucesso, Achille Papin. A chegada de Babette altera um pouco sua rotina austera. Seus dotes culinários são logo percebidos ao fazer pequenas alterações na alimentação servida pelas irmãs aos idosos do vilarejo. Mas não passa disso, devido à escassez de recursos e os preceitos severos seguidos pela comunidade, baseados na privação e no sacrifício.
Quando Babette resolve preparar o banquete, uma mudança significativa percebe-se em toda a comunidade. Há a surpresa pelo pedido (aparentemente) inusitado feito por Babette. Há o receio dos puritanos de que os prazeres mundanos suscitados pelo banquete sejam uma nódoa em sua crença. Há certo reboliço quando Babette retorna à vila com os suprimentos para realizar o jantar. E subitamente, o pequeno vilarejo, antes cinzento e sombrio, parece se encher de vida.
O filme, que se inicia devagar, envolve o espectador aos poucos. Não só o banquete em si, mas seu preparo também, constituem a melhor parte dele. A dedicação, o cuidado e principalmente, o prazer de Babette ao prepará-lo são contagiantes. O espectador fica com água na boca ao vê-la separando ingredientes, salteando legumes, montando e decorando os pratos. Percebe-se sua satisfação cozinhando e tem-se a certeza de que aquilo é o que mais lhe agrada fazer na vida. E esse entusiasmo, essa paixão pela culinária, certamente reflete-se no resultado. Os pratos são mais que apetitosos. São um amálgama de sensações e, consequentemente, de prazeres – gustativos, olfativos e mesmo táteis.
Interessante notar a mudança que se opera nos convivas no decorrer do banquete. Mesmo tendo combinado entre si (exceto pelo General Löwenhielm) não sentirem nem tecerem qualquer comentário relativo ao que fosse servido, percebe-se a mudança de atitude em cada um deles. Inversamente ao que temiam, o prazer despertado não é pecaminoso, muito menos maléfico. Animosidades se dissolvem, antigas desavenças se desfazem. O deleite gastronômico acaba por fazer com que cada um deles queira expressar o melhor de si. Todos regozijam-se, mesmo não tendo a cultura do General, que aprecia os pratos também como conhecedor do glamour parisiense.
Babette sabe como levar alegria através da comida. Assim como “Chocolate” e “Como água para chocolate”, este é mais um filme em que se aborda a magia da culinária. O poder transformador do deleite gastronômico. Temos a transformação de Babette, que parece voltar à vida, mesmo com o esforço e trabalho necessários para preparar e servir o banquete. E temos a transformação dos convidados, que chegam ao final do banquete como pessoas diferentes e mesmo melhores que antes dele. Eles (e o espectador também) se convencem de que é possível a felicidade sem pecado, o prazer sem culpa.
Elenco
Stéphane Audran .... Babette Harsant
Birgitte Federspiel .... velha Martina
Bodil Kjer .... velha Philippa
Jarl Kulle .... velho Lorens Lowenhielm
Jean-Philippe Lafont .... Achille Papin
Bibi Andersson .... mulher sueca
Ghita Nørby .... narradora
Asta Esper Hagen Andersen .... Anna
Thomas Antoni .... tenente sueco
Gert Bastian .... homem pobre
Principais prêmios e indicações
Oscar 1988 (EUA)
Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.
BAFTA 1989 (Reino Unido)
Venceu na categoria de melhor filme em língua não inglesa.
Indicado nas categorias de melhor atriz (Stéphane Audran), melhor fotografia, melhor direção, melhor filme e melhor roteiro adaptado.
Festival de Cannes 1987 (França)
Recebeu o Prêmio Ecumênico.
Globo de Ouro 1989 (EUA)
Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.
Festival du Cinéma Nordique de Rouen 1988 (França)
Recebeu os prêmios da audiência e do Grande Júri.
Vejamos algumas curiosidades
Menu do banquete
Potage à la tortue
Blinis Demidoff au Caviar
Cailles en sarcophage com molho perigourdine
Salada
Queijos
Baba au rhum com frutas
Se a qualidade de uma obra de arte depende do contexto e está nos olhos de quem a vê, argumenta o escritor inglês James Miller (William Shimell) no começo de Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010), então uma falsificação pode ter a mesma validade do original. É como a imagem da Coca-Cola reinventada pela pop art, diz ele, que está na Toscana para divulgar o seu livro, intitulado justamente Cópia Fiel.
Em seu primeiro filme rodado fora do Irã, o mais importante cineasta do país, Abbas Kiarostami, parte desse princípio de Miller para legitimar a sua homenagem a Viagem à Itália. Como no clássico de 1954 de Roberto Rosselini, temos o que normalmente seria uma pequena questão burguesa - os problemas de relacionamento de um casal - amplificada pela concha acústica que é a história da arte europeia. Uma obra depende de seu contexto: entre os muros da Itália, as pequenezas da vida a dois se tornam material de um drama maior.
James Miller precisa voltar para a Inglaterra, mas antes aceita de Elle (Juliette Binoche), uma francesa dona de galeria que há anos vive na Itália com seu filho, um convite para passear pelas ruazinhas da comuna de Lucignano. Passando por um café, os dois são confundidos como marido e mulher, e por brincadeira passam a encenar esses papéis. O momento dessa virada é essencial: James e Elle por uma viela antes deserta, mas que de repente se enche de varais e mulheres e barulhos de bebês. É como se atravessassem um portal para o neorrealismo.
Kiarostami diz que cada um deve interpretar a obra como quiser, mas é inegável que duas obsessões de sua cinematografia iraniana seguem preservadas aqui: as mulheres e o tempo. Em filmes como Gosto de Cereja(1997), a obra que transformou Kiarostami em grife e o cinema iraniano em moda, percebe-se mesmo no mais seco monte de terra o acúmulo do tempo. O tempo, inscrito na paisagem, é que molda os homens. Mas com as mulheres é diferente. Elas vivem no Irã em uma espécie de estado de suspensão, numa semiclandestinidade, e sobre elas o tempo não parece agir. É uma condição trágica, no fundo, e Kiarostami tem passado anos fazendo filmes com close-ups de mulheres para tentar socorrê-las.
Na Europa de Viagem à Itália e de Cópia Fiel, o secularismo permite um acúmulo do tempo distinto do iraniano. É o tempo, por exemplo, que cerca James à esquerda e à direita na cena da foto com a noiva. Lucignano surge constantemente em espelhos, janelas, romanceada por velas, por não dá pra negar a História. Mas enquanto James Miller filosofa contra o "eterno" da arte, contra a mistificação, porque afinal logo retornará para a Inglaterra, a francesa Elle está sofrendo no rosto o peso dos anos mal vividos. Fora do Irã, é sobre as mulheres que age o tempo de Kiarostami.
E se o diretor apega-se ao close-up de Juliette Binoche, que nunca esteve tão bonita e tão vulnerável, é para entender por que tanto sorri essa sua Mona Lisa.
Sinopse
James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscana apresentar seu livro sobre o valor da cópia na arte. Chegando lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, que vive com seu filho pré-adolescente (Adrian moore). Eles passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo em que vão se conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens.
Ficha Técnica
Título original:Copie Conforme
Gênero:Drama
Duração:1 hr 46 min
Ano de lançamento: 2010
Site oficial:
Estúdio: MK2 Productions / BiBi Film / Abbas Kiarostami Productions / France 3 / Canal+ / Centre National de la Cinématographie / Toscana Film Commission
Distribuidora: Imovision (Brasil)
Direção: Abbas Kiarostami
Atores: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Agathe Nathanson.Roteiro: Abbas Kiarostami
Produção: Nathanaël Karmitz, Angelo Barbagallo, Charles Gillibert, Marin Karmitz e Abbas Kiarostami
Fotografia: Luca Bigazzi
Direção de arte: Ludovica Ferrario
Edição: Bahman Kiarostami
Premiações
FESTIVAL DE CANNES
Ganhou
2010
Melhor Atriz - Juliette Binoche
Em um certo momento no filme "As Horas", a personagem de Nicole Kidman, a escritora Virginia Woolf, faz comentários a respeito do livro que está escrevendo, "Sra. Dalloway", que narra um único dia na vida de uma mulher. "E aquele dia é a vida inteira dela", conclui. Isso serve como fio condutor para o filme inteiro, que conta um só dia na vida de várias personagens.
"Direito de Amar", tem muito em comum com aquele filme, e não apenas pelo fato de ter Julianne Moore no elenco e de a ação se passar num único dia na vida do protagonista.
"Direito de Amar" encontra sua força, porém, na interpretação melancólica e contida de Colin Firth (de "Mamma Mia!"), premiado no Festival de Veneza do ano passado, vencedor do Bafta foi um dos favoritos ao Oscar de melhor ator.
O inglês compõe um personagem cheio de nuances e contornos dramáticos e, por isso mesmo, muito crível. Como "As horas", "Direito de Amar" tem como protagonista um personagem homossexual, mas nunca transforma esse fato na sua razão de existir ou em uma bandeira a ser hasteada.
George (Colin Firth) é um professor universitário que sofre com a morte de seu amante, Jim (Matthew Goode, de "Match Point - Ponto Final), num acidente de carro. Devido aos preconceitos da época, os anos 50, ele nem mesmo pode assistir ao seu funeral, o que foi expressamente proibido pela família de Jim.
George planeja como será seu último dia de vida (em nova coincidência com alguns dos personagens de "As Horas").
Para ele, o suicídio não é uma saída, mas sua única opção, depois da morte do namorado. Mesmo assim, tenta levar normalmente suas últimas horas, como se fosse um dia qualquer: vai à universidade, dá aulas e combina um jantar com sua amiga Charley (Julianne Moore).
As melhores cenas acontecem na companhia de Charley, quando vêm à tona dores do passado e do presente e a força da amizade parece capaz de superar os problemas. Mas, como o amigo, Charley é um desastre emocional ambulante. Abandonada pelos filhos crescidos, vive isolada em sua casa refinada, desesperada por um pouco de carinho e atenção.
George esconde-se por trás de uma máscara que criou para si. O mundo o vê como um homem bem-resolvido, sem problemas, sem que ninguém imagine realmente os conflitos e a solidão que o dominam.
Kenny (Nicholas Hoult, de "Um Grande Garoto") é um aluno que se interessa por ele, mas George vê no garoto mais uma projeção do seu passado do que interesse emotivo ou sexual.
"Direito de Amar" também marca a estreia na direção do estilista norte-americano Tom Ford, que financiou o filme com recursos próprios, e mostra que conhecimento de cinema, especialmente do contemporâneo, evocando Wong Kar-Wai - no tempo fragmentado e na fotografia - e Pedro Almodóvar - uma foto gigantesca de "Psicose", ao fundo de uma cena, remete diretamente ao cartaz da peça "Um Bonde Chamado Desejo", em "Tudo Sobre Minha Mãe". Apesar de bem utilizadas, são referências que nem sempre se encaixam perfeitamente no filme.
Não se sabe ainda se Ford irá seguir carreira como cineasta. Sua escolha do tema e do elenco mostram que ele pode ser um diretor destemido e ousado.
Sinopse
George (Colin Firth) é um professor de inglês, que repentinamente perde seu companheiro de 16 anos. Sentindo-se perdido e sem conseguir levar adiante sua vida, ele resolve se matar. Para tanto passa a planejar cada passo do suicídio, mas neste processo alguns pequenos momentos lhe mostram que a vida ainda pode valer a pena.
Ficha Técnica
Título original:A Single Man
Gênero:Drama
Duração:1 hr 41 min
Ano de lançamento: 2009
Site oficial: http://www.asingleman-movie.com/
Estúdio: Artina Films / Depth of Field / Fade to Black Productions
Distribuidora: The Weinstein Company / Paris Filmes
Direção: Tom Ford
Atores: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode.
Roteiro: Tom Ford e David Scearce, baseado em livro de Christopher Isherwood
Produção: Andrew Miano, Tom Ford, Robert Salerno e Chris Weitz
Música: Abel Korzeniowiski
Fotografia: Eduard Grau
Direção de arte: Ian Phillips
Figurino: Arianne Phillips
Edição: Joan Sobel
Efeitos especiais:Engine Room
Premiações
OSCAR
Indicação
Melhor Ator - Colin Firth
GLOBO DE OURO
Indicações
Melhor Ator - Drama - Colin Firth
Melhor Atriz Coadjuvante - Julianne Moore
Melhor Trilha Sonora
BAFTA
Ganhou
Melhor Ator - Colin Firth
Indicações
Melhor Figurino
INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Indicações
Melhor Filme de Estreia
Melhor Ator - Colin Firth
Melhor Roteiro de Estreia
FESTIVAL DE VENEZA
Ganhou
Volpi Cup - Melhor Ator - Colin Firth
Queer Lion
Curiosidades
- Estreia de Tom Ford como diretor;
- Foi o próprio Tom Ford quem financiou Direito de Amar;
- Ao ser contactado Colin Firth não pôde aceitar o papel, devido a conflitos de agenda. Entretanto o filme sofreu um atraso nas filmagens, o que permitiu a participação do ator;
- Victoria Silvstedt fez teste para um papel em Direito de Amar;
- Apesar de já ter produzido diversos filmes, esta é a primeira vez em que Chris Weitz trabalha como produtor sem ter a companhia de Paul Weitz, seu irmão;
- Don Bachardy, companheiro de longa data de Christopher Isherwood, autor do livro o qual Direito de Amar é baseado, participa em uma ponta no filme.
Primeiro filme internacional do diretor Heitor Dhalia, o drama "À Deriva" tem o astro francês Vincent Cassel ("O Ódio", "Irreversível") no principal papel masculino, do escritor Mathias. A première mundial da produção brasileira aconteceu na seção Un Certain Regard, do Festival de Cannes.
O ponto de vista da história é o da adolescente Filipa (a estreante Laura Neiva, de apenas 14 anos), a filha mais velha de Mathias e Clarice (Débora Bloch). É dela o olhar que sintetiza o momento da crise que está no centro do roteiro, escrito pelo diretor Heitor Dhalia, com colaboração de Vera Egito (do curta "Espalhadas pelo Ar").
É certamente um filme bem diferente de Dhalia, diretor de "Nina" (2004) e "O Cheiro do Ralo" (2007). Ele deixa de lado o humor negro que temperou aqueles dois filmes, buscando aliar um tom intimista a uma produção vistosa em termos de fotografia, música e montagem, que seguramente visa o mercado internacional. Não é pecado. Em todo caso, observa-se certa diluição dramatúrgica que não é inteiramente satisfatória.
Estreante, Laura Neiva não dá conta de todas as nuances esperadas de sua personagem, em crise adolescente e vendo seu mundo familiar desabar ao observar a traição do pai à mãe com uma outra moradora da praia (a norte-americana Camilla Belle, de "10.000 A. C.").
Aparentemente, a estratégia de venda do filme no mercado internacional também focou na escolha de um elenco bonito, tanto na jovem atriz, que parece uma modelo, quanto nos seus amigos. Ali se vê um universo de classe média alta em que não há um único negro - o que não é realista quando se observa uma praia brasileira, no caso, Búzios (RJ). É uma nota secundária, talvez, mas soa falsa. E a falta de autenticidade corrompe a unidade dramática da história mais de uma vez.
Em seu primeiro papel num filme brasileiro, o francês Vincent Cassel até força mais sotaque do que tem ao falar português. Visitante constante do Brasil e admirador de seus músicos - como Seu Jorge, Racionais, Rapping Hood e Marcelo D2 -, ele está preso num papel que não lhe dá todas as expressões cabíveis - e isso não por causa do idioma, mas de problemas do roteiro.
Débora Bloch é a única a escapar dessas limitações, encarnando uma mulher de verdade, uma personagem que demonstra conhecer do avesso, dando-lhe carne, vida, dor, coragem. É seu melhor papel no cinema até agora, encerrando também uma ausência de oito anos das telas, desde "Caramuru - A Invenção do Brasil" (2000), de Guel Arraes.
As belas paisagens de Búzios, onde fica a casa da família, são uma atração à parte, num filme fotografado competentemente por Ricardo Della Rosa. A trilha sonora do veterano Antonio Pinto - frequente colaborador de Walter Salles, como no filme "Central do Brasil" - fornece moldura emotiva para a história. É um Brasil modelo exportação para o mundo em crise.
Sinopse
Em férias de verão com a família em Búzios, Filipa, uma adolescente de 14 anos, faz o rito de passagem para a idade adulta em meio às descobertas do amor com a turma de amigos. Um rito que se prova doloroso quando ela descobre que o pai, um famoso escritor, está traindo a mãe com uma estrangeira que mora na praia. A descoberta desse segredo, porém, será apenas a primeira de uma série de outras, encantadoras ou dolorosas, sobre sua família e si mesma.
Ficha Técnica
Título original:À Deriva
Gênero:Drama
Duração:1 hr 37 min
Ano de lançamento: 2009
Site oficial: http://www.aderivafilme.com.br/
Estúdio: Paramout Pictures Brasil / Focus Features / O2 Filmes / Universal Pictures
Distribuidora: Paramount Pictures
Direção: Heitor Dhalia
Elenco: Vincent Cassel, Debora Bloch, Camilla Belle, Laura Neiva e Cauã Reymond
Roteiro: Heitor Dhalia
Produção: Fernando Meirelles, Andréa Barata Ribeiro e Bel Berlinck
Música: Antônio Pinto
Fotografia: Ricardo Della Rosa
Direção de arte: Guta Carvalho
Figurino: Alexandre Herchcovitch
Edição: Gustavo Giani
Premiações GRANDE PRÊMIO CINEMA BRASIL
Indicações
Melhor Filme
Melhor Diretor
Melhor Atriz - Debora Bloch
Melhor Direção de Arte
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Edição - Ficção
Melhor Som
Melhor Efeitos Especiais
Curiosidades
- O diretor Heitor Dhalia descobriu em uma entrevista feita no Carnaval que Vincent Cassel falava português fluentemente. Ele enviou o roteiro de À Deriva acompanhado do DVD de O Cheiro do Ralo para o ator;
- Dhalia chegou ainda a fazer uma viagem a Paris, de apenas 24 h, para encontrar Cassel;
- É o primeiro filme estrelado por Vincent Cassel no Brasil;
- Laura Neiva foi selecionada através do Orkut, quando tinha apenas 14 anos. A princípio ela acreditou que fosse um trote, recusando-se a fazer o teste para a personagem Filipa;
- Para obter atuações naturalistas, o diretor entregou o roteiro a Vincent Cassel e Débora Bloch, deixando os atores improvisarem em cena;
- As filmagens aconteceram entre abril e maio de 2008;
Sinopse Três mães vêem sua realidade se transformar por completo... São elas: Ruth, cujo filho adolescente, Raul, enfrenta problemas com drogas; Elisa, que tenta suprir a ausência do marido dando total atenção ao filho, o pequeno Theo, e Lara, professora que enfrenta o dilema de uma gravidez não planejada. Essas três mulheres, vivendo momentos distintos de suas vidas, buscam conforto junto a Chico Xavier. E o repórter Karl permanece insistindo em entrevistar o médium, mesmo sem estar preparado para isso...
Elenco Principal Caio Blat Cristiane Gois Daniel Dias da Silva Gabriel Pontes Gustavo Falcão Herson Capri Joelson Medeiros Nelson Xavier Neusa Borges Paulo Goulart Filho Tainá Müller Vanessa Gerbelli Via Negromonte
Sinopse
Quando criança Gabrielle (Audrey Tautou) é deixada, junto com a irmã Adrienne (Marie Gillain), em um orfanato. Ao crescer ela divide seu tempo como cantora de cabaré e costureira, fazendo bainha nos fundos da alfaiataria de uma pequena cidade. Até que ela recebe o apoio de Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que passa a ser seu protetor. Recusando-se a ser a esposa de alguém, até mesmo de seu amado Arthur Capel (Alessandro Nivola), ela revoluciona a moda ao passar a se vestir costumeiramente com as roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época.
Ficha Técnica
título original:Coco Avant Chanel
gênero:Drama
duração:1 hr 45 min
Ano de lançamento: 2009
site oficial: http://www.cocoantesdechanel.com.br/
estúdio: France 2 Cinéma / Canal+ / CinéCinémas / France 2 / Film Distribution / Cofinova 5 / Haut et Court / Ciné@ / Banque Populaire Images 9 / Scope Pictures
distribuidora: Warner Bros.
direção: Anne Fontaine
roteiro: Camille Fontaine e Anne Fontaine, baseado em livro de Edmonde Charles-Roux
produção: Caroline Benjo, Philippe Carcassone e Carole Scotta
música: Alexandre Desplat
fotografia: Christophe Beaucarne
figurino: Catherine Leterrier
edição: Luc Barnier
Premiações
OSCAR
Indicação
Melhor Figurino
BAFTA
Indicações
Melhor Atriz - Audrey Tautou
Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Maquiagem
Melhor Figurino
CÉSAR
Ganhou
Melhor Figurino
Indicações
Melhor Atriz - Audrey Tautou
Melhor Ator Coadjuvante - Benoit Poelvoorde
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Fotografia
Melhor Direção de Arte
Curiosidades
- A personagem Coco Chanel foi oferecida a Keira Knightley;
- As filmagens ocorreram entre 15 de setembro e dezembro de 2008;
- Na cena da corrida de cavalos há 300 figurantes;
- No Rio de Janeiro e em São Paulo foram montadas exposições em shopping centers para divulgar Coco Antes de Chanel, na semana de lançamento do filme nos cinemas. No Shopping Leblon (RJ) foram exibidas fotos oficiais do filme, enquanto que no Iguatemi (SP) foram expostas roupas e acessórios que pertenceram à própria estilista;
- O orçamento de Coco Antes de Chanel foi de 13,4 milhões de euros.
Exibido no encerramento da 34ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Rede Social promete atrair um público superantenado em tecnologia, mídias sociais e tudo que rola nos bastidores do Vale do Silício, na Califórnia (EUA) – a região onde estão as sedes de empresas como Apple e Google.
Com direção do americano David Fincher, o mesmo de O Curioso Caso de Benjamin Button e Clube da Luta, o filme sobre a criação do Facebook vale também o ingresso aos interessados em saber como garotos na faixa dos 20 anos conseguem, a partir de uma simples ideia, conquistar fama e enormes fortunas da noite para o dia.
Baseado no livro de Bilionários por Acaso, A Criação do Facebook , de Ben Mezrich, o roteiro de Aaron Sorkin (Jogos do Poder) foi até mesmo contestado pelo próprio Mark Zuckerberg, criador do Facebook, que, durante várias entrevistas, disse que o mundo cinematográfico sente necessidade de contextualizar tudo, inclusive mostrar que o principal motivo de ter criado a rede social teria sido o término de um namoro e não apenas um momento genial, uma ideia que ele denomina como “cool”.
Com diálogo confuso no início do filme, a trama se desenrola a partir de uma desilusão amorosa sofrida pelo jovem Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), ex-estudante de Harvard. O rompimento da namorada desencadeia sua genialidade e, na mesma noite, ele acaba desenvolvendo um site comparativo entre várias garotas do campus, que se torna um sucesso imediato . Daí para a criação da popular rede social foi um pulo.
Porém, em meio a todo esse processo, o criador do Facebook acaba sofrendo dois processos judiciais: um dos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer), por roubo de ideia, enquanto desenvolviam um site exclusivo aos alunos de Harvard; e outro de seu melhor amigo, o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield – o futuro Peter Parker do novo Homem-Aranha), quando Sean Parker (Justin Timberlake), o encrenqueiro criador do Napster, entra na jogada.
Jesse Eisenberg (Zumbilândia), sem grandes alterações de expressão, convence no papel principal do jovem nerd, ao mostrar toda a sua obsessão com sua criação e também, no caso do longa, seu rancor com a antiga namorada. Mas é o cantor Justin Timberlake (Alpha Dog) quem mais se destaca no jovem elenco, na pele do festeiro e galanteador Sean Parker. Carismático, é ele o causador da briga judicial entre Mark e Eduardo, além de ainda abocanhar uma porcentagem dos lucros do Facebook.
Vale ressaltar que o verdadeiro Mark Zuckerberg não colaborou com o livro de Mezrich, nem com o filme de Fincher, apesar da insistência de ambos. Apenas Eduardo Saverin deu sua contribuição.
Curiosidade: o Facebook foi lançado em 4 de fevereiro de 2004 e possui mais de 500 milhões de usuários espalhados em 207 países. Em 2008, Mark Zuckerberg foi considerado o mais jovem bilionário do mundo, com fortuna de mais de US$ 1,5 bilhão, pela revista Forbes.
FICHA TÉCNICA
Diretor: David Fincher
Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Rashida Jones, Brenda Song, Justin Timberlake, John Getz, Dakota Johnson, Mark Saul, Brian Palermo.
Produção: Dana Brunetti, Ceán Chaffin, Michael De Luca, Scott Rudin
Roteiro: Aaron Sorkin, baseado no livro de Ben Mezrich
Fotografia: Jeff Cronenweth
Trilha Sonora: Trent Reznor, Atticus Ross
Duração: 117 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Michael De Luca Productions / Scott Rudin Productions / Trigger Street Productions
Classificação: 14 anos
CURIOSIDADES
- Baseado no livro "Bilionários por Acaso", de Ben Mezrich;
- Inspirado na história do surgimento da rede social Facebook;
- Kevin Spacey é produtor executivo do longa;
- É a segunda vez que Spacey e Dana Brunetti trabalham juntos na produção de um filme. A primeira foi em Quebrando a Banca (2008);
- O orçamento de A Rede Social foi de US$ 50 milhões.
A Duquesa, de Saul Dibb, narra a história de uma mulher que, tendo aceitado, na juventude, o quê lhe impôs a sociedade patriarcal inglesa, se vê obrigada, mais tarde, a se sacrificar a fim de manter as aparências de dignidade da nobreza num momento de ebulição política, marcado pela Revolução Francesa e pela Independência dos EUA.
O filme faz implícito paralelismo entre Georgiana Cavendish (1757-1806), Duquesa de Devonshire e Diana Frances Spencer (1961-1997), Princesa de Gales, como é óbvio, até porque são ambas integrantes da mesma linhagem familiar. O roteiro, bem elaborado pelo próprio Dibb, em colaboração com Jeffrey Hatcher e Anders Thomas Jensen, é baseado no livro Georgiana: Duchess of Devonshire de Amanda Foreman.
Pelo belo tratamento cinematográfico dado por Dibb às seqüências iniciais – concomitantes à exibição dos créditos – tem-se a impressão de que não se está assistindo a um mero filme de época, mas a um trabalho de fôlego e de originalidade tanto no que diz respeito à ambientação, à beleza do figurino, à justeza das interpretações e principalmente à eficiente composição de cenas e de planos fotográficos.
Pois, enquanto Georgiana (Keira Knightley) se diverte nos jardins de sua residência com amigos, entre os quais se encontra o jovem Charles Grey (Dominic Cooper), seu flerte casual, sua mãe Lady Spencer (Charlotte Rampling), num dos salões de recepção da propriedade, trata, como era costume na sociedade patriarcal inglesa, de seu casamento com um homem mais velho do que ela, o Duque de Devonshire (Ralph Fiennes).
Concluídos os acertos pré-matrimoniais, o Duque parte sem ter contato com Georgiana. Esta, deixando os amigos no jardim, atende ao chamado da mãe para, no salão, receber dela, com agrado, a notícia de seu noivado. Meio sonsa, ela indaga à mãe: – Então o Duque gosta de mim?… Mas ele só me viu uma vez! Porém orgulhosa, já se sentindo como futura Duquesa de Devonshire, Georgiana faz expressiva caminhada em direção à sacada da residência para assim sugerir a despedida aos amigos. E, na cena seguinte, ela caminha em sentido contrário, ingressando na igreja para a solenidade do casamento.
Pena que a promessa fique nisso, ou melhor, que sejam apenas nesses breves momentos iniciais que Dibb acerte na condução de sua narrativa, de certo charme e agilidade. A partir de então, seu trabalho mergulha no convencional, arrastando temas por demais explorados em filmes do gênero como a exigência do marido de a esposa ter filho varão para perpetuar o nome da família ou a obrigação dela de aceitar a criar uma criança, nascida de antiga relação dele com uma empregada, já morta naturalmente.
De qualquer forma, porém, o cineasta não deixa cair o ritmo, apoiando-se para tanto num bom trabalho de edição de Masahiro Hirakubo, na fotografia esmerada de Gyvia Pados, no apropriado comentário musical de Rachel Portman e principalmente nas primorosas interpretações do elenco, em que se destaca naturalmente o trabalho de Ralph Fiennes, digno de elogios.
O Duque de Devonshire, segundo a máscara que lhe empresta Fiennes, ganha uma dimensão humana que certamente o roteiro, escrito para destacar as desventuras da personagem-título, a Duquesa, não lhe atribui. No papel, o Duque não deve passar de um déspota, machista, autoritário e inflexível em suas decisões, que traz num cortado a pobre esposa, obrigada sempre a cumprir estritamente suas vontades. Mas não é esta a figura que Fiennes encarna. Ele sabe transmitir a sutil compreensão de que o Duque aprecia e valoriza a atuação política da Duquesa – um século antes de ser concedido o direito de voto às mulheres inglesas -, a qual, como a princesa Diana, conseguiu atrair para si grande prestígio em meio aos seus súditos.
Fiennes esmera-se ainda na percepção de que ele continua amando e admirando a esposa, mãe de seus filhos, embora as circunstâncias – criadas, na verdade, pela própria Duquesa – o levem a se tornar amante de Bess Foster (Hayley Atwell), também moradora em sua residência. E, por outro lado, a sensível reação do Duque ao saber que a Duquesa traz no ventre um filho que não é seu, pela forma com que a exterioriza a personagem, consagra realmente o trabalho de um grande ator.
Quanto a Keira Knightley, fica evidente por essa sua atuação que, apesar de ter rosto bonito, boa presença em cena, como intérprete, ela se repete muito. Em alguns momentos, como Duquesa, ela está muito bem. Mas em outros poderia, com certeza, explorar mais as oportunidades. Charlotte Rampling e Hayley Atwell apresentam excelentes interpretações, o mesmo acontecendo com o novo e promissor talento do cinema britânico, Dominic Cooper, que, dado o seu inegável preparo técnico, vem sendo apontado, nos meios cinematográficos da Inglaterra, como provável sucessor de Daniel Craig na série do Agente 0007, James Bond.
Ficha Técnica
Título original:The Duchess
Gênero:Drama
Duração:1 hr 50 min
Ano de lançamento: 2008
Site oficial: http://www.aduquesa.com.br
Estúdio: Paramount Vantage / Pathé / BBC Films / BIM Distribuzione / Qwerty Films / Magnolia Mae Films / Pathé Renn Productions
Distribuidora: Paramount Vantage
Direção: Karen Wakefield
Atores: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Dominic Cooper, Charlotte Rampling.Roteiro: Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen e Saul Dibb, baseado em livro de Amanda Foreman
Produção: Michael Kuhn e Gabrielle Tana
Música: Rachel Portman
Fotografia: Gyula Pados
Direção de arte: Karen Wakefield
Figurino: Karen Wakefield
Edição: Masahiro Hirakubo
Efeitos especiais:Rainmaker
Premiações
OSCAR
Ganhou
Melhor Figurino
Indicação
Melhor Direção de Arte
GLOBO DE OURO
Indicação
Melhor Ator Coadjuvante - Ralph Fiennes
BAFTA
Ganhou
Melhor Figurino
Indicação
Melhor Maquiagem
Curiosidades
- Os direitos da adaptação do livro de Amanda Foreman para o cinema foram adquiridos em 1998;
- As filmagens ocorreram entre 17 de setembro e dezembro de 2007.
Comer Rezar Amar (Eat Pray Love, 2010) conta a história de Liz (Julia Roberts) que, ao perceber que está infeliz em sua vida, decide que é preciso mudar. Primeiro, remove o obstáculo mais evidente: seu casamento, iniciando assim um doloroso processo de divórcio. Depois, a tentativa de viver uma vida normal e buscar novos relacionamentos amorosos. Ela então conhece David (James Franco), um ator mais novo que ela. No entanto, a aparente felicidade inicial logo dá lugar ao mesmo vazio existencial que ela antes sentia.
Liz então embarca em uma viagem de um ano pela Itália, Índia e Indonésia. Na Itália ela se dedica a um período de indulgência, apreciando o melhor da culinária local e permitindo-se engordar alguns quilos, vivendo apenas para buscar o "prazer de não fazer nada", pregado pelos italianos. Neste trecho fica a evidente a diferença que faz o orçamento de 60 milhões de dólares, com caprichados takes aéreos de Roma.
Na Índia, Liz pretende dedicar-se à meditação e à busca do equilíbrio espiritual. Em sua estadia em um ashram hindu, ela confronta a dor da qual pensava já estar curada para, finalmente, perdoar-se. Depois, ruma para Bali, ilha que ela já havia visitado (na visita anterior, um xamã havia previsto que ela retornaria para que ele pudesse ensinar-lhe todos os seus conhecimentos).
No período em Bali, Liz redescobre o amor em Felipe, personagem brasileiro vivido pelo espanhol Javier Bardem. Ao ouvir Bardem falando português e a trilha de bossa nova, sentimos aquela vergonha alheia de ver nossa cultura representada nas telas por estrangeiros - provavelmente sentida também pelos italianos, indianos e indonésios ao assistir esse filme. No entanto, essa representação não é caricata e descuidada, ficando nítido que a produção empenhou-se na fonética dos sotaques. Não chegou-se à perfeição, mas o trabalho foi bem executado.
Para aqueles que amam ou sonham viajar, a fotografia de Comer Rezar Amar estimula aquela vontade de embarcar no próximo avião. No entanto, apesar do filme ter realização técnica esmerada, falta ousadia à atuação de Julia Roberts, que nunca sai do território seguro já explorado em seus filmes anteriores. A autora do romance best-seller que originou este filme, Elizabeth Gilbert, que trilhou a jornada relatada, é uma mulher real - não a figura de estrela idealizada que Roberts parece incapaz de abandonar. O demérito dessa falta de contrastes é também da direção do diretor Ryan Murphy, que não explora a profundidade da tristeza do início a fim de evidenciar a transformação de Liz ao final.
Ficha Técnica
título original:Eat Pray Love
gênero:Drama
duração:2 hr 13 min
ano de lançamento: 2010
site oficial: http://www.letyourselfgo.com
estúdio: Columbia Pictures | Plan B Entertainment | Red Om Films
distribuidora: Columbia Pictures (EUA) | Sony Pictures Releasing (Brasil)
direção: Charley Beal
atores:Julia Roberts, James Franco, Billy Crudup, Viola Davis.
roteiro: Ryan Murphy e Jennifer Salt, baseados no livro de Elizabeth Gilbert
produção: Dede Gardner
música: Dario Marianelli
fotografia: Robert Richardson
direção de arte: Charley Beal
figurino: Charley Beal
edição: Bradley Buecker
efeitos especiais:Drew Jiritano (coordenador)
Curiosidades
- O filme é baseado no livro homônimo de grande sucesso da jornalista Elizabeth Gilbert;
- A história é baseada em fatos reais vivenciados e relatado por ela, que no filme é interpretada por Julia Roberts.
A história real do poeta cubano Reinaldo Arenas é o ponto de partida do drama Antes do Anoitecer, um filme denso, maduro, que rendeu ao espanhol Javier Bardem (o mesmo de Entre as Pernas) uma indicação ao Oscar de melhor ator.
O filme, em várias cenas, é um soco no estômago. Nem poderia ser diferente. Afinal, a história fala da trajetória de um homem que teve de lutar contra todos os tipos de preconceitos para conseguir ver sua arte publicada e difundida pelo mundo. Arenas batalhou contra os preconceitos sociais, políticos, sexuais e humanos, lutou contra todo o tipo de intolerância e comeu o pão que Fidel Castro amassou, tudo em nome da liberdade de expressão.
Formalmente, Antes do Anoitecer tem narrativa clássica, quase documental. Usa e abusa da câmera na mão, visando uma maior aproximação do público com a linguagem telejornalística (que pressupõe verdade documental). Quando necessário, carrega nas cores e tem como principal vantagem o fato de descartar todo e qualquer tipo de panfletarismo que o tema poderia supor. Quem assistir vai ganhar de presente, no mínimo, duas aulas: de humanidade e de cinema.
Repare em Johnny Depp fazendo um papel duplo e na participação quase irreconhecível de Sean Penn.
Elenco Javier Bardem (Reynaldo Arenas) Olivier Martinez (Lázaro Gómez Carrilles) Andrea Di Stefano (Pepe Malas) Johnny Depp (Bon Bon / Tenente Victor) Sean Penn (Cuco Sanchez) Michael Wincott (Herberto Zorilla Ochoa) Najwa Nimri (Fina Correa) Hector Babenco (Virgilio Pinera) Olatz Lopez Garmendia (Mãe de Reynaldo) Sebastiãn Silva (Pai de Reynaldo) Vito Maria Schnabel (Reynaldo - adolescente) Jerzy Skolimowski (Professor) Diego Luna
Ficha Técnica título original:Before Night Falls gênero:Drama duração:02 hs 05 min ano de lançamento:2000 site oficial:http://www.before-night-falls.com estúdio:El Mar Pictures / Grandview Pictures distribuidora:Fine Line Features direção: Julian Schnabel roteiro:Lázaro Gómez Carriles, Cunningham O'Keefe e Julian Schnabel, baseado em livro de Reynaldo Arenas produção:Jon Kilik música:Carter Burwell fotografia:Xavier Pérez Grobet e Guillermo Rosas direção de arte:Antonio Muño-Hierro figurino:María Estela Fernández edição:Michael Berenbaum
O que parece ser mais um roteiro sobre triângulos amorosos, A Mulher do Meu Irmão consegue driblar os clichês com um desfecho surpreendente, digno de Nelson Rodrigues. Baseado no romance homônimo de Jaime Bayly – também roteirista do longa -, o filme é uma produção mexicana dirigida pelo novato Ricardo Montreuil. Ele é conhecido por seus trabalhos na MTV Latina, por produzir videoclipes. Assim como o restante de sua equipe, Montreuil tem vasta experiência em televisão e campanhas publicitárias. A Mulher do Meu Irmão mostra a história de Zoe (Bárbara Mori), casada com Ignácio (Christian Meier) e infeliz com sua vida, principalmente sexual. Apesar das frustrações, ela sonha em ter um filho, mas seu marido é estéril. Após dez anos tentando superar a vida metódica e a ausência de Ignácio, Zoe começa a conversar e se aproximar de seu cunhado Gonzalo (Manolo Cardona) que, além de ser o oposto de seu irmão, costuma viver todos os prazeres da vida sem medir as conseqüências, nem se apegar a ninguém.
A protagonista reluta muito em se entregar, mas acaba vivendo um caso com seu cunhado e encontra nele o que jamais teve com seu marido Ignácio. No novo relacionamento, Zoe sente-se realizada, mas não é tão simples assim. Um fato inesperado muda o que seria um final feliz e faz com que surpreendentes segredos venham à tona. A Mulher do Meu Irmão é uma trama repleta de sentimentos, traições, hipocrisia e desejo.
O filme libera emoções guardadas no íntimo de cada ser humano, em alguns mais reprimidas do que em outros. O medo de que fosse uma novela no estilo mexicano era inevitável. Pois além da equipe ter um currículo predominantemente televisivo, a atriz Bárbara Mori é conhecida por sua personagem Rubi em uma telenovela da Televisa, assim como o restante do elenco principal que também já fez sucesso nos dramalhões do país. Porém, em A Mulher do Meu Irmão , as atuações fogem completamente desse tipo de estereótipo. Em vez dos dramas escrachados e exagerados, encontramos uma interpretação mais introspectiva, fazendo o espectador – com a ajuda de enquadramentos fechados – aproximar-se dos personagens e sentir cada emoção deles. Destaque para Bruno Bichir que interpreta Boris, o melhor amigo e alter ego de Zoe.
O ator traz um humor delicado, necessário ao personagem, sem quebrar o ritmo dramático do filme. A Mulher do Meu Irmão , em sua estréia no México, conseguiu levar mais de 600 mil espectadores aos cinemas, que, com certeza, puderam entender as diversas formas de amar uma pessoa e ser feliz. Um filme reflexivo para ser visto mais de uma vez e em cada momento romper um preconceito diferente.
ELENCO
Bárbara Mori (Zoe) Christian Meier (Ignacio) Manolo Cardona (Gonzalo) Gaby Espino (Laura) Beto Cuevas (Padre Santiago) Bruno Bichir (Boris) Angélica Aragón (Cristina) David Leche Ruiz (Jorge)
FICHA TÉCNICA
Roteiro: Jaime Bayly Estúdio: Shallow Entertainment Distribuição: 20th Century Fox Fotografia: Andrés Sánchez Produção: Carola Carter E Stan Jakubowicz Edição: Rosario Suárez Direção de arte: Wolfgang Burman Música: Angelo Milli
Em 2002, Julie Powell era uma secretária frustrada atendendo telefonemas em seu cubículo. Cozinheira nas horas vagas, procurava algo que a empolgasse. Eis que um dia tem a ideia de fazer, ao longo de um ano, as 524 receitas de um famoso livro de culinária francesa de Julia Child, uma chef que desmistificou a cozinha daquele país em livro e programas de televisão.
Mas não bastava cozinhar, era preciso também registrar num blog a sua aventura na cozinha. Daí nasce "Julie & Julia", um blog, posteriormente publicado em formato de livro, e, agora, levado aos cinemas por Nora Ephron ("Sintonia de Amor").
O longa, que estreia no país na sexta-feira, traz Amy Adams e Meryl Streep nos papéis de Julie e Julia. As duas já dividiram os créditos em "Dúvida", no qual interpretavam uma freira e uma madre superiora, sendo ambas indicadas ao Oscar.
Aqui, as histórias das duas personagens são narradas em paralelo -- elas jamais se encontram. Para montar esse roteiro, Ephron também se valeu de um livro de memórias da chef, sobre sua vida na França. Assim, o filme torna-se bem mais abrangente do que apenas a aventura da jovem em sua cozinha minúscula em Nova York.
"Julie & Julia" é um filme, num primeiro momento, sobre culinária, mais do que gastronomia. É sobre a arte de cozinhar e como isso interfere na vida das pessoas. Por arte de cozinhar, obviamente, entenda-se algo além de simplesmente fazer o almoço ou o jantar.
Julia chega à França acompanhando o marido diplomata e não sabe o que fazer para matar o tempo, até matricular-se na famosa escola de culinária Le Cordon Bleu. Inicialmente, ela sofre discriminação, por sexismo e xenofobia, quando é instada a fazer parte das aulas para donas de casa.
Mas Julia, que não mede suas palavras, nem esforços, quer mais que isso. E vai parar numa aula onde, segundo a diretora da escola, os alunos são cozinheiros de navio. A personagem encontra o seu lugar não apenas no curso, mas no mundo.
Por meio da história de Julie, sabemos que Julia se tornou famosa, uma verdadeira guru da culinária. Seus programas de televisão são vistos até hoje -- alguns disponíveis na Internet.
Há outros paralelos muito mais interessantes -- especialmente no que diz respeito ao papel e às conquistas da mulher. Não que o filme levante alguma bandeira feminista, mas ao falar de duas mulheres e de duas épocas, não deixa de comentar as mudanças pelas quais passou, ou não, a sociedade, especialmente a norte-americana.
Será que a liberdade do século 21 realmente existe? Às vezes, Julia, na década de 1950, parece ser mais livre, sofrer menos cobranças. Os relacionamentos amorosos também pareciam ser mais apaixonados na época de Julia e seu marido, Paul (Stanley Tucci), do que agora, com Julie e Eric (Chris Messina, de "Vicky Christina Barcelona").
Estando a culinária ao centro de "Julie & Julia", alguns detalhes podem passar despercebidos. Um grande diferencial do longa é que se trata de um filme sobre mulheres -- mas elas nunca estão desesperadas atrás de um marido, como na maioria das produções hollywoodianas protagonizadas pelo sexo feminino. Pelo contrário, aqui, os maridos são apoios para Julia e Julie concretizarem seus objetivos e acharem o lugar no mundo.
Para que essas duas personagens se mostrem reais, e não meras imitações da vida, entram em cena Amy e Meryl. Esta, mais uma vez, se supera. Recordista de indicações ao Oscar (com 15) -- mais uma, no próximo ano, é bem provável -- , a atriz vai além de imitar Julia Child, cuja maneira de falar e cozinhar são muito famosas.
Por outro lado, se Amy não está à altura, é mais por culpa do roteiro do que propriamente de sua atuação. Assim, é muito mais interessante, Julia conquistando o mundo com suas panelas e frigideiras do que Julie libertando-se de sua insegurança.
Em todo caso, mesmo com pequenas falhas e uma duração um pouco além da conta, "Julie & Julia" conquista por causa de seu charme natural e da leveza com o que é conduzido. E é também o melhor filme da diretora.
Ficha Técnica
título original:Julie & Julia
gênero:Drama
duração:02 hs 03 min
ano de lançamento:2009
site oficial:http://www.julieandjulia.com/
estúdio:Columbia Pictures / Scott Rudin Productions / Easy There Tiger Productions
distribuidora:Columbia Pictures
direção: Nora Ephron
roteiro:Nora Ephron, baseado no livro "Julie & Julia", de Julie Powell, e "My Life in France", de Julia Child e Alex Prud'homme
produção:Nora Ephron, Laurence Mark, Amy Robinson e Eric Steel
música:Alexandre Desplat
fotografia:Stephen Goldblatt
direção de arte:Ben Barraud
figurino:Ann Roth
edição:Richard Marks
efeitos especiais:Brainstorm Digital
Elenco
Meryl Streep (Julia Child)
Amy Adams (Julie Powell)
Stanley Tucci (Paul Child)
Chris Messina (Eric Powell)
Linda Emond (Simone Beck)
Helen Carey (Louisette Bertholle)
Mary Lynn Rajskub (Sarah)
Jane Lynch (Dorothy McWilliams)
Joan Juliet Buck (Madame Brassart)
Crystal Noelle (Ernestine)
George Bartenieff (Chefe Max Bugnard)
Vanessa Ferlito (Cassie)
Casey Wilson (Regina)
Jillian Bach (Annabelle)
Andrew Garman (John O'Brien)
Michael Brian Dunn (Ivan Cousins)
Remak Ramsey (John McWilliams)
Diane Kagan (Phila McWilliams)
Deborah Rush (Avis De Voto)
Helen Coxe (Dorothy De Santillana)
Erin Dilly (Judith Jones)
Mary Kay Place (Mãe de Julie)
Curiosidades
Este é o 2º filme em que Meryl Streep e Amy Adams atuam juntas. O anterior foi Dúvida (2008);
- As filmagens ocorreram entre 13 de março e 28 de maio de 2008;
- Por ser mais baixa que a verdadeira Julia Child, Meryl Streep teve que usar sapatos de salto alto nas filmagens. Além disto as gravações foram feitas usando truques de cenário, câmera e figurino de forma a fazer com que parecesse mais alta;
- Julia Child foi a primeira americana a cursar a Le Cordou Bleu, prestigiada escola de gastronomia francesa.
Aos 14 anos, Susie Salmon foi estuprada, assassinada e estripada, mas não morreu completamente. Algo estranho aconteceu com ela. De onde está -- não é o paraíso, mas também não é o inferno, e não parece ser o purgatório -- ela pode observar sua família e seu assassino e torcer para que ele seja preso. Ainda assim, "Um Olhar do Paraíso", que estreia em todo o país, não é um filme sobrenatural. É um drama sobre crime e castigo.
O filme tem tudo para ser hipnótico, perturbador até, mas nas mãos do diretor e corroteirista Peter Jackson (famoso pela trilogia "O Senhor dos Aneis"), a adaptação do romance "Uma Vida Interrompida" é morna, sem graça e cheia de efeitos visuais. A trama é interessante, mas os excessos criativos do diretor a transformam num emaranhado de clichês visuais, um filme no qual uma onipresente narração em off contradiz uma regra básica do cinema: mostrar ao invés de dizer.
O roteiro, que Jackson assina com Fran Walsh e Phillippa Boyens (suas parceiras na adaptação do texto de "O Senhor dos Aneis"), baseia-se no romance da norte-americana Alice Sebold, publicado em 2002, apresentando uma trama intrincada e bem observada que já demonstrava seu potencial para uma versão cinematográfica.
Jackson nunca foi um diretor contido -- especialmente nos últimos filmes, nos quais o excesso é a regra. Por isso, procura não apenas mostrar, mas verbalizar no discurso de algum personagem aquilo que mostra na tela.
Em "Um Olhar do Paraíso", Susie (Saoirse Ronan, de "Desejo e Reparação") encanta-se com aquele lugar para onde vai depois de morta -- a que chamam de "meio-termo". Parte sonho lisérgico, parte parque de diversões, esse purgatório fofinho reúne todas as garotas assassinadas pelo mesmo sujeito -- interpretado por Stanley Tucci (indicado ao Oscar de ator coadjuvante por este trabalho).
De lá, Susie observa esse homem e suas tramoias para encobrir seus crimes. Além disso, ele também joga uns olhares estranhos para a irmã mais nova de Susie, Lindsey (Rose McIver), que é também uma vítima em potencial.
De seu purgatório pessoal, a garota também assiste à dissolução de sua família. O pai, Jack (Mark Wahlberg, de "Os Infiltrados"), obcecado por capturar o assassino, negligencia a mãe e os outros filhos. A mãe, Abigail (Rachel Weisz, de "Um beijo roubado"), não aguenta a tragédia e vai embora de casa. Já Lindsey tenta levar a sua vida. Susie se preocupa com todos aqueles que ficaram, uma preocupação da qual o diretor parece não compartilhar.
O livro de Sebold força a narrativa a um extremo, no qual a menina morta é uma narradora onisciente que fala com seus leitores com uma franqueza brutal. Há algo de muito interessante na forma como a história se abre, como a tragédia maior alavanca pequenas tragédias individuais que ameaçam o núcleo familiar como um todo. O filme de Jackson, por sua vez, é muito menos audacioso. O diretor parece tão interessado em criar visuais bonitos que deixa de lado qualquer profundidade que a trama pudesse alcançar.
Combinando fantasia com um toque de morbidez, "Um Olhar do Paraíso" poderia fazer uma ótima companhia para um dos bons filmes de Jackson, "Almas Gêmeas", de 1994 -- no qual uma Kate Winslet estreante matava a mãe de uma amiga, com ajuda da garota, e as duas escapavam mentalmente para um mundo feito de massinha, no qual acreditavam que eram as rainhas e viviam um amor proibido, protegidas por cavaleiros armados.
O peso dos anos -- ou talvez do sucesso -- pode ter abalado a audácia e criação artística de Jackson, que sucumbe a um pastiche visual que não acrescenta nada à narrativa, e nem, ao menos, é tão bonito de se ver.
O título original do livro e do filme, "The Lovely Bones" (traduzido nas legendas como "restos angelicais"), não se refere apenas aos delicados restos mortais de Susie, mas, também, à trama complexa e frágil que une e separa as pessoas. Ao ignorar essa informação, o enredo se transforma num suspense banal.
Ficha Técnica
título original:The Lovely Bones
gênero:Drama
duração:02 hs 15 min
ano de lançamento:2009
site oficial:http://www.lovelybones.com/
estúdio:WingNut Films / DreamWorks SKG / Film4 / Key Creatives
distribuidora:DreamWorks SKG / Paramount Pictures
direção: Peter Jackson
roteiro:Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson, baseados em livro de Alice Sebold
produção:Carolynne Cunningham, Peter Jackson, Aimée Peyronnet e Fran Walsh
música:Brian Eno
fotografia:Andrew Lesnie
direção de arte:Jules Cook e Chris Shriver
figurino:Nancy Steiner
edição:Jabez Olssen
efeitos especiais:Weta Digital
Elenco
Saoirse Ronan (Susie Salmon)
Mark Wahlberg (Jack Salmon)
Rachel Weisz (Abigail Salmon)
Susan Sarandon (Vovó Lynn)
Stanley Tucci (George Harvey)
Michael Imperioli (Len Fenerman)
Jake Abel (Brian Nelson)
Amanda Michalka (Clarissa)
Reece Ritchie (Ray Singh)
Rose McIver (Lindsey Salmon)
Andrew James Allen (Samuel Heckler)
Nikki SooHoo (Holly)
Anna George (Sra. Singh)
Charlie Saxton (Ronald Drake)
Carolyn Dando (Ruth)
Stink Fisher (Sr. Connors)
Christian Thomas Ashdale (Buckley Salmon)
Stefania Owen (Flora Hernandez)
Tina Graham (Sophie Cichetti)
Thomas McCarthy (Diretor Caden)
Curiosidades
Alice Sebold, autora do livro o qual Um Olhar do Paraíso é baseado, declarou que preferia que a intérprete de Susie Salmon fosse uma atriz desconhecida. A escolhida foi Saoirse Ronan, que pouco depois ganhou notoriedade ao ser indicada ao Oscar de atriz coadjuvante por Desejo e Reparação (2007);
- Saoirse Ronan foi escolhida a partir de uma audição gravada, enviada aos produtores e ao diretor Peter Jackson. Eles ficaram tão impressionados com o material que logo acertaram com a atriz, sem que houvesse a necessidade de uma nova audição;
- Helen Hunt esteve cotada para interpretar Abigail Salmon;
- Rachel Weisz foi a primeira integrante do elenco contratada para o filme;
- Inicialmente seria Ryan Gosling o intérprete de Jack Salmon. O ator deixou crescer a barba e engordou 9 kg para o papel, mas deixou o elenco poucos dias antes do início das filmagens devido a diferenças criativas. Em seu lugar, foi contratado Mark Wahlberg;
- A escola em que a personagem Susie Salmon estuda é baseada na General Wayne Elementary School, onde Alice Sebold estudou nos anos 70;
- O orçamento de Um Olhar do Paraíso foi de US$ 100 milhões.
CRÍTICA - O ILUSIONISTA - Os místicos costumam dizer que o mundo em que vivemos é uma ilusão. Einstein demonstrou que tudo é relativo, o que, de certa forma, é como se a ciência reconhecesse a ilusão do mundo em que vivemos.
Riqueza, nobreza, sociedade, papeis sociais, são ilusões que vivemos constantemente e que por aceitá-las como verdades, assim se tornam.
Na Viena antiga, onde a Nobreza construía seus castelos e seus jogos de poder, o filho de um marceneiro, Edward, comete a imprudência de se apaixonar pela duquesa, Sophie.
Fascinada pela habilidade do jovem ilusionista, Sophie permite-se viver esse amor proibido até que as pressões sociais se tornem um risco acima do suportável.
Para Edward não há alternativas, ele parte pelo mundo em busca do conhecimento secreto dos grandes mágicos, em busca do poder que lhe permitisse cumprir a palavra dada ao seu grande amor.
Anos depois, surge na cidade um homem estranho, reservado, com poderes obscuros e olhar penetrante. Seu nome é Eisenhein – O Ilusionista.
Seu objetivo: Vencer o Sistema, e reconquistar o direito ao amor de Sophie, salvando-a de um destino trágico, de um casamento forçado com o príncipe herdeiro.
Poderá Edward, na pele de Einsenhein superar as barreiras que o separam de sua amada? Cumprirá a promessa feita na infância? Contra ele, o poder da nobreza e a argúcia de um honesto e leal inspetor chefe de polícia, Uhl.
Uhl, um homem dividido entre a lealdade ao sistema, aprendida e aceita por toda a vida, e a justiça, que tenta salvar a si mesmo e o seu amigo ilusionista de uma tragédia maior.
Será possível ir contra o mundo e vencer? Poderá o poder do amor suplantar a ilusão das convenções sociais?
Einsenhein tem a sua frente o maior desafio de sua vida, superar a vida e a morte, mudar os destinos de forma que a esperança brote nos corações e a verdadeira magia possa surgir.
Qualquer falha, qualquer indecisão, e toda a ilusão se perderá tornando o destino trágico, irreversível.
Nesta adaptação do Conto “Einsenhein – The Illusionist, by Steven Millhauser”, o olhar fica preso pelas belas paisagens, pela magistral trama e pela belíssima interpretação de Edward Norton (Einsenhein), Jéssica Biel (Sophie) e Paul Giamatti (Inspetor Uhl), de tal forma que o mais atento observador não percebe a ilusão que se desnuda diante de nós.
Impossível não sentir o coração bater mais forte, o espanto se seguir à compreensão e, por fim, o impulso irresistível de se levantar e aplaudir de pé o encerramento do espetáculo chamado: Vida.
Você está preparado para encarar a Magia deste filme? Fique atento às ilusões.
Ficha Técnica
título original:The Illusionist
gênero:Drama
duração:01 hs 50 min
ano de lançamento:2006
site oficial:http://www.theillusionist.com/
estúdio:Bull's Eye Entertainment / Stillking Films / Michael London Productions / Contagious Entertainment / Bob Yari Productions
distribuidora:Yari Film Group Releasing / Focus Filmes
direção: Neil Burger
roteiro:Neil Burger, baseado em estória de Steven Millhauser
produção:Brian Koppelman, David Levien, Michael London, Cathy Schulman e Bob Yari
música:Philip Glass
fotografia:Dick Pope
direção de arte:
figurino:Ngila Dickson
edição:Naomi Geraghty
efeitos especiais:Universal Production Partners
Curiosidades
- Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2006. - O orçamento de O Ilusionista foi de US$ 16,5 milhões.
CRÍTICA - A PELE - Diane Arbus (1923-1971) foi uma das mais importantes fotógrafas americanas. Retratista, tinha como alvo, o que a sociedade considerava fora dos padrões estéticos. Seus protagonistas viviam no gueto, á margem, e a preocupação de Diane era justamente retratar o que havia por trás da máscara que a pessoa ostentava. Suas dores, angústias e frustrações.
Antes de romper com as obrigações domesticas, era ajudante do marido, este sim um fotografo, de anúncios publicitários. Era uma espécie de assistente de produção e responsável pelo figurino que as modelos usavam nas fotos. Mãe de duas garotas e entediada com seu casamento (mulheres entediadas sempre rendem bons argumentos) decide começar a fotografar o misterioso vizinho do andar de cima.
Logo no inicio do filme o diretor Steven Shainberg (Secretária – 2003) avisa que se trata de uma história fictícia criada a partir da biografia da artista, escrita por Patrícia Bosworth. Tal informação o livra das cobranças de fazer um retrato fiel de Diane. Porém sua fantasiosa versão para o mundo da fotografa não agradou a crítica americana.
Creio que se você embarcar na história, poderá usufruir de um filme instigante, no meio de tanta obviedade nos cinemas. A Pele (Fur – 2006) é uma tentativa de sair da rotina, assim como sua protagonista.
Ao se envolver com o vizinho Lionel (Robert Downey Jr) que sofre de uma doença rara, que o faz ter pêlos por todo o corpo, Diane começa a ver beleza, onde normalmente não se veria. O contato dos dois, lembra o mesmo argumento do filme da Disney, A Bela e Fera. Só que o foco aqui é outro. Por trás daquele monte de pêlo, Diane ira descobrir (pasmem) uma pessoa. Não há feitiço, apenas uma doença que serve como metáfora para todos os pré-conceitos e estigmas que há na civilização.
Ver Diane tentando introduzir o amigo em seu ambiente familiar, mostra o quão a artista ficou seduzida pelo diferente. Acostumada á beleza óbvia das fotografias do marido, Diane vai para o outro extremo e procura o conceito de beleza, em lugares onde teoricamente não há o conceito do belo.
O filme é isso, uma viagem particular do diretor pelo universo – digamos – caótico de Diane. Há beleza no filme de Shainberg, em partes pela própria Nicole Kidman ou nas metáforas construídas no filme. É para ser “lido” nas entrelinhas. O fato do marido, deixar a barba crescer, para competir com o vizinho peludo, mostra a tentativa de salvar o casamento que se abalará com a ausência da mulher. Esta é apenas uma das sutilezas contidas no filme. Arrisque-se!
Ficha Técnica
título original:An Imaginary Portrait of Diane Arbus
gênero:Drama
duração:02 hs 00 min
ano de lançamento:2006
site oficial:http://www.furmovie.com/
estúdio:River Road Films / Iron Films LLC / Furtherfilm LLC / Edward R. Pressman Film Corporation / Vox3 Films
distribuidora:Picturehouse Entertainment / PlayArte
direção: Steven Shainberg
roteiro:A Biography", de Patricia Bosworth
produção:Laura Bickford, Patricia Bosworth, Andrew Fierberg, William Pohlad e Bonnie Timmermann
música:Carter Burwell
fotografia:Bill Pope
direção de arte:Nick Ralbovsky
figurino:Mark Bridges
edição:Kristina Boden e Keiko Deguchi
efeitos especiais:LOOK! Effects Inc.
Curiosidades
- Os direitos de adaptação do livro de Patricia Bosworth para o cinema foram adquiridos em 1984 pela MGM. Na época o estúdio pretendia que Diane Keaton fosse a protagonista. - Foi apenas em 1997 que os direitos foram adquiridos pelos produtores Edward R. Pressman e Bonnie Timmermann. - O diretor Steven Shainberg e o roteirista Erin Cressida Wilson decidiram por não fazer uma cinebiografia convencional. Ao invés disto criaram uma Diane Arbus que tinha elementos de sua vida real, mas também fantasia relacionada ao seu trabalho artístico. - Inicialmente seria Samantha Morton a intérprete de Diane Arbus. - O orçamento de A Pele foi de US$ 16,8 milhões.