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sábado, 2 de junho de 2007

Não Por Acaso



"Não por Acaso" entrelaça vidas e romances pela sinuca.

Vencedor de quatro prêmios no festival de Recife, em abril, o drama "Não por Acaso" marca a estréia do curta-metragista Philippe Barcinski em longa-metragem. O filme tem no elenco Rodrigo Santoro, Leonardo Medeiros e Letícia Sabatella.

Carioca radicado em São Paulo e curta-metragista premiado por trabalhos como "Palíndromo" (2001) e "A Janela Aberta" (2002), que concorreu na competição oficial de curtas no Festival de Cannes, Barcinski mantém seu estilo, marcado por uma construção rigorosa.

O enredo de "Não por Acaso" estrutura-se em duas histórias que correm paralelas com protagonistas distintos, embora de igual peso (Leonardo Medeiros e Rodrigo Santoro).

Unindo as duas histórias, há um acidente de carro. O desastre provoca a morte de duas mulheres e desencadeia uma trama sobre a dificuldade de lidar com a perda do ponto de vista masculino.

No centro desse roteiro, assinado por Barcinski, Fabiana Werneck e Eugênio Puppo, há uma paixão pela idéia de exatidão e de controle, que governam a mente dos dois personagens principais, o jogador de sinuca Pedro (Santoro) e o controlador de trânsito Ênio (Medeiros).

Pedro esmera-se na criação de jogadas complexas e de difícil execução, que sejam capazes de desconcertar os adversários. As jogadas foram criadas pelo próprio diretor, com a assessoria do especialista Renato Da Mata.

O controlador de trânsito Ênio exerce o poder de orientar o fluxo das ruas de São Paulo, às vezes ordenando o bloqueamento de algumas vias para que se esvaziem outras.

Nada mais paulistano do que enfocar o trânsito da metrópole que é, assumidamente, um personagem indispensável na vida de todos no filme, assim como na dos demais habitantes da cidade. Dessa maneira, brotam na tela paisagens como o conhecido viaduto Minhocão, onde Ênio passeia nos finais de semana com a filha Bia (Rita Batata, em seu primeiro grande papel no cinema), a quem ele acaba de ser apresentado.

Embora soubesse de sua existência, Ênio sempre se recusou a conviver com ela, assim que a ex-mulher (Graziela Moretto) refez sua vida com outro homem que assumiu a paternidade. Depois da morte da mãe, a moça aproxima-se do pai biológico, que vive trancado numa defensiva afetiva, seduzindo-o pouco a pouco para descobrir esse novo relacionamento.

A interpretação ao mesmo tempo intensa e sutil de Leonardo Medeiros, premiado em Recife, sustenta esse foco narrativo com total credibilidade. Ele cria aqui um de seus grandes papéis na tela, comparável ao do guerrilheiro encurralado do drama político "Cabra Cega" (2004), de Toni Venturi, e do irmão mais velho de "Lavoura Arcaica" (2001), de Luiz Fernando Carvalho -- pelos quais foi premiado no festival de Brasília.

Na outra vertente da história, o jogador Pedro sofre uma grande perda. No princípio, ele vivia um relacionamento apaixonado com a jovem Teresa (Branca Messina). Quando ela morre, Pedro sente-se imensamente ferido e indefeso. Salva-o o acaso de conhecer a inquilina para quem Teresa alugou seu antigo apartamento, a executiva Lúcia (Letícia Sabatella).

Mulher de negócios habituada ao comando de seu mundo a partir do celular e do notebook, ela não sabe como encarar a intrusão desse homem um tanto rude e desorientado em sua vida. A única resposta possível passa pela intuição.

Ficha Técnica

Título Original: Não por Acaso
Gênero: Drama
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Estúdio: O2 Filmes / Fox Film do Brasil / Globo Filmes
Distribuição: Fox Film do Brasil
Direção: Philippe Barcinski
Roteiro: Philippe Barcinski, Fabiana Werneck Barcinski e Eugênio Puppo
Produção: Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck
Fotografia: Pedro Farkas
Direção de Arte: Vera Hamburger
Edição: Márcio Canella

Elenco

Rodrigo Santoro (Pedro)
Leonardo Medeiros (Ênio)
Letícia Sabatella (Lúcia)
Branca Messina (Teresa)
Rita Batata (Bia)
Cássia Kiss (Iolanda)
Graziella Moretto (Mônica)
Ney Piacentini (Nogueira)
Cacá Amaral (Tobias)
Sílvia Lourenço (Paula)

Premiações

- Ganhou 4 prêmios no Cine PE - Festival do Audiovisual, nas categorias de Melhor Ator (Leonardo Medeiros), Melhor Atriz Coadjuvante (Branca Messina), Melhor Fotografia e Melhor Edição.

Curiosidades

- Estréia de Philippe Barcinski como diretor de longa-metragens.

- Este é o 2º filme em que Rodrigo Santoro e Cássia Kiss atuam juntos. O anterior foi Bicho de Sete Cabeças (2001).

Trailer - Não por Acaso

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O Cheiro Do Ralo




O Cheiro do Ralo", filme baseado no livro de mesmo nome do quadrinista Lourenço Mutarelli, tem dividido as opiniões do público e da crítica por seu humor negro e quase escatológico desde sua primeira exibição, há seis meses, no Festival do Rio.

Ainda assim, o longa dirigido por Heitor Dhalia ("Nina") vem colecionando prêmios e uma série de elogios, inclusive no Festival de Sundance, onde foi exibido em janeiro.

Com roteiro do diretor e do escritor Marçal Aquino ("O Invasor"), o filme é centrado na vida do esquisito Lourenço (Selton Mello), que tem uma loja em São Paulo que compra e vende quinquilharias.

Ali, transitam pessoas estranhas, assim como o dono, tentando sempre vender algo: uma embalagem de cigarro com autógrafo de Steve McQueen, uma caneta, uma arma, um olho de vidro e antigüidades.

Todos esses indivíduos são uma desculpa para Lourenço satisfazer seu ego, exercendo seu poder momentâneo sobre elas. Ele tem prazer em explorar as pessoas, que geralmente estão passando por dificuldades financeiras.

Lourenço se contenta com seu jogo sádico, enquanto explica para cada um de seus clientes que o cheiro ruim que toma conta da loja é do ralo do banheiro no fundo de sua loja. Ao mesmo tempo, ele se apaixona por uma parte específica do corpo de uma garçonete (Paula Braun).

Lourenço é um personagem desagradável, interpretado com muita competência por Selton Mello, que nunca pede que se tenha maior simpatia por esse sujeito um tanto quanto bizarro. As pessoas que entram e saem de cena são ora dignas de repugnância, ora de piedade.

Desde sua primeira imagem até o seu final sombrio, "O Cheiro do Ralo" parece existir em um outro universo, que tem uma vaga semelhança com o mundo real.

No Festival do Rio 2006, o filme ganhou o prêmio de melhor ator (Selton Mello), o prêmio especial do júri e o da Fipresci (federação da imprensa internacional).

Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, também no final de 2006, recebeu o prêmio de melhor filme e menção honrosa para todo o elenco.

Originalmente orçado em cerca de R$ 2,5 milhões, o longa acabou sendo produzido com apenas R$ 315 mil, com dinheiro arrecadado entre sócios privados e pelos produtores executivos.

FICHA TÉCNICA
Título Original: O Cheiro do Ralo
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 112 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Site Oficial: http://www.ocheirodoralo.com.br
Estúdio: Geração Conteúdo / Primo Filmes / RT Features / Branca Filmes / Tristero Filmes / Sentimental Filmes
Distribuição: Filmes do Estação
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Marçal Aquino e Heitor Dhalia, baseado em livro de Lourenço Mutarelli
Produção: Heitor Dhalia, Joana Mariani, Marcelo Doria, Matias Mariani e Rodrigo Teixeira
Música: Apollo Nove
Fotografia: José Roberto Eliezer
Direção de Arte: Guta Carvalho
Figurino: Patrícia Zuffa
Edição: Jair Peres e Pedro Becker

ELENCO
Selton Mello (Lourenço)
Paula Braun (Garçonete)
Lourenço Mutarelli (Segurança)
Flávio Bauraqui (Homem da caixa de música)
Fabiana Guglielmetti (Noiva)
Sílvia Lourenço (Viciada)
Martha Meola (Secretária)
Suzana Alves (Apresentadora de vídeo de ginástica)
Paulo Alves (PM)
Negro Rico (PM)
Gustavo Trestini (Tenente)
Roberto Audio (Homem da flauta)
Boi (Mendigo)
Alice Braga (Garçonete)
Tobias Vai Vai (Caixa da lanchonete)
Mário Shoemberger (Homem do relógio)
Calico (Homem da perna)
Jorge Cerruti (Homem do olho de vidro)
Milhem Cortaz (Encanador)
Hossein Minussi (Encanador)
Álvaro Muniz (Encanador)
Wolney de Assis (Homem da caneta)
Pedro Vicente (Homem dos livros)
Hugo Villavicenzio (Homem do gramofone)
Estevan (Homem do autógrafo)
Abrahão Farc (Homem dos soldadinhos)
André Frateschi (Homem do vodu)
Luciano Gatti (Homem do livro)
Waldir Grillo (Homem do ancinho)
Xico Sá (Homem do gênio da garrafa)
Morelli (Homem do violino)
Dionísio Neto (Homem dos discos)
Nivaldo (Homem da gaiola)
Zé Pineiro (Homem do revólver)
Augusto Pompeo (Homem do faqueiro)
Ariel Moshe (Homem das cédulas)
Morgani (Homem abertura)
Lorena Lobato (Mulher casada)
Fernando Macario (Entregador de pizza)
Leonardo Medeiros (Jesus Kid)
Paulo César Pereio (Pai da noiva - voz)

PREMIAÇÕES
- Ganhou o Prêmio Especial do Júri e o de Melhor Ator (Selton Mello), no Festival do Rio.
- Ganhou o prêmio de Melhor Filme - Júri Oficial e o Prêmio da Crítica - Nacional, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
CURIOSIDADES

- Orçado originalmente em R$ 2,5 milhões, O Cheiro do Ralo foi realizado com apenas R$ 315 mil, reunidos entre sócios privados e pelos produtores executivos.

- Este é o 2º filme em que o diretor Heitor Dhalia e o ator Selton Mello trabalham juntos. O anterior foi Nina (2004).

- Exibido na mostra Première Brasil, no Festival do Rio 2006.

Trailer